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Zoo de Brasília resgata e reabilita 217 animais vítimas de acidentes e tráfico no Cerrado

por | out 15, 2025 | Fauna nas Estradas, SLIDER | 0 Comentários

O hospital abriga atualmente 96 animais em tratamento e atua também em ações de prevenção e educação ambiental

Entre janeiro e setembro de 2025, o Hospital Veterinário (Hvet) do Zoológico de Brasília atendeu 217 animais silvestres feridos ou doentes, a maioria vítimas de atropelamentos, queimadas e tráfico de animais. O número evidencia o impacto das ações humanas sobre a fauna do Cerrado, uma das regiões mais afetadas por acidentes envolvendo animais de vida livre no país.

De acordo com o projeto Bandeiras e Rodovias, o Cerrado concentra alguns dos trechos mais críticos para a fauna brasileira. Na BR-262, entre Miranda e Corumbá (MS), são registrados em média mais de 600 atropelamentos por mês, 80% deles à noite. Espécies como tamanduá-bandeira, onça-pintada, anta, lobo-guará e tatu-canastra estão entre as mais atingidas. Entre 2017 e 2019, o levantamento contabilizou 725 mortes de tamanduás-bandeira, o que já foi suficiente para reduzir pela metade o crescimento populacional da espécie.

Os dados do Hvet mostram que fevereiro foi o mês com mais atendimentos neste ano, somando 99 ocorrências, seguido de setembro, com 59. Atualmente, o hospital mantém 96 animais em tratamento, entre mamíferos, aves e répteis. Capivaras e tamanduás-bandeira estão entre os mamíferos mais atendidos; entre as aves, destaca-se a arara-canindé, frequentemente resgatada de traficantes; e, entre os répteis, o gecko, comum em apreensões.

Entre os casos de maior repercussão está o do tamanduá-bandeira Queijinho, resgatado em Unaí (MG) após atropelamento, queimaduras e ataques de cães. O animal chegou com paralisia total, hemorragia ocular e desidratação, mas, após meses de fisioterapia e cuidados intensivos, recuperou os movimentos e hoje realiza exercícios semanais enquanto aguarda liberação para uma área de soltura controlada.

Outro exemplo é a onça-parda Farofa, encontrada ainda filhote e desidratada em Unaí (MG), em outubro de 2024. Após receber cuidados especiais para preservar seus instintos naturais, foi encaminhada ao Ibama, onde passa por readaptação antes de voltar à natureza. Também se recuperou no hospital a cachorra-do-mato Lili, resgatada em 2024 com sinais de atropelamento e devolvida ao habitat em fevereiro deste ano.

O hospital veterinário do Zoo é equipado com sala cirúrgica, ultrassom, doppler, monitor cardíaco, oxigenoterapia e endoscópio, além de laboratório próprio. Realiza exames, cirurgias e tratamentos de reabilitação para animais com potencial de retorno à natureza. Quando a soltura não é possível, o Ibama define o destino — permanência no zoológico ou transferência para outras instituições.

Além dos atendimentos, o Zoológico de Brasília desenvolve ações de educação ambiental e prevenção de acidentes. As campanhas alertam sobre a redução de velocidade em áreas próximas a unidades de conservação e a necessidade de passagens de fauna sob ou sobre as rodovias. Segundo especialistas, a maioria dos atropelamentos ocorre em trechos com pouca iluminação, ausência de sinalização e intenso tráfego de veículos pesados.

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