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Estudo aponta que sinalização de fauna precisa ser combinada a medidas estruturais para reduzir acidentes

por | jan 23, 2026 | Fauna nas Estradas, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Pesquisa na BR-262 analisa impacto das placas sobre a velocidade dos veículos

Rodovias geram impactos significativos sobre a biodiversidade, especialmente por meio de colisões entre veículos e animais silvestres, que também representam risco à segurança humana. Um estudo publicado no Journal of Environmental Management avaliou a eficácia das placas de travessia de fauna como medida de mitigação e concluiu que a sinalização, quando utilizada de forma isolada, apresenta efeito limitado.

A pesquisa foi conduzida por especialistas do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de instituições internacionais, com foco em trechos da BR-262, no Mato Grosso do Sul, rodovia com elevados índices de atropelamento de fauna.

Ao longo de 18 dias, foram realizadas mais de 5,3 mil medições de velocidade de diferentes categorias de veículos, em distintos horários e pontos antes e depois da instalação das placas. O objetivo foi avaliar se a sinalização influencia, na prática, o comportamento dos motoristas.

O estudo analisou quatro tipos de placas: educativas, padrão, de controle e aquelas com mensagens diretas de risco. Os resultados indicam que apenas as placas orientadas ao risco estiveram associadas a alguma redução de velocidade, ainda assim considerada pequena e restrita a poucos metros após a sinalização. Em seguida, os veículos tendem a retomar rapidamente a velocidade anterior, em alguns casos ultrapassando os níveis registrados antes da passagem pelas placas.

De acordo com a análise dos pesquisadores, essa redução não é suficiente para melhorar de forma significativa a capacidade de reação dos condutores diante da presença de animais na pista, o que limita o potencial preventivo da sinalização quando aplicada de forma isolada.

A BR-262, que liga Campo Grande ao Pantanal, é apontada no estudo como um dos trechos mais críticos do país. Monitoramentos recentes indicam a ocorrência de milhares de atropelamentos de animais ao longo de centenas de quilômetros da rodovia, envolvendo espécies de médio e grande porte.

O artigo reforça que, embora as placas sejam amplamente utilizadas por apresentarem baixo custo e fácil manutenção, elas não substituem medidas estruturais já reconhecidas como mais eficazes. Entre as ações recomendadas estão cercas direcionadoras, passagens de fauna, redutores de velocidade, radares, fiscalização contínua e campanhas educativas permanentes.

Em 2025, o DNIT iniciou a implementação de um plano de mitigação na BR-262, com investimento estimado em R$ 30 milhões e prazo de execução de 730 dias. O projeto prevê a instalação de cercas condutoras de fauna, passagens inferiores e superiores, além de sinalização específica ao longo dos trechos mais sensíveis da rodovia.

O estudo conclui que a redução consistente dos atropelamentos de fauna depende da combinação entre engenharia viária, fiscalização e comunicação, indo além do uso exclusivo da sinalização.

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