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MP apura subnotificação de atropelamentos de animais em rodovias de Três Lagoas

por | jan 21, 2026 | Fauna nas Estradas, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Apuração do Ministério Público aponta apenas 16 registros em cinco anos, levanta suspeita de subnotificação e avalia a eficácia das medidas de mitigação nas rodovias da região

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para apurar possíveis falhas no registro de atropelamentos de animais nas rodovias que cortam Três Lagoas, no leste do Estado. A investigação foi aberta após denúncia do Ibama e reúne dados oficiais do período de 2020 a 2025, que apontam apenas 16 ocorrências registradas, número considerado incompatível com a realidade observada na região.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encaminhadas ao MPMS, foram contabilizados 10 atropelamentos na BR-262 e seis na BR-158 ao longo de cinco anos, o que representa uma média de pouco mais de três casos por ano. Para o Ministério Público, a baixa quantidade de registros levanta indícios de subnotificação.

Outro ponto central do inquérito é a fragilidade dos dados oficiais. Os registros não distinguem se os animais atropelados eram silvestres ou domésticos e tampouco indicam a destinação das carcaças. De acordo com o MPMS, a ausência de padronização dificulta o diagnóstico do problema e compromete a adoção de medidas eficazes de mitigação.

No âmbito da apuração, o promotor de Justiça Antônio Carlos Garcia de Oliveira também requisitou esclarecimentos sobre a eventual responsabilidade de empresas de celulose instaladas na região, em razão do aumento do fluxo de veículos pesados nas rodovias locais. Foram oficiados a PRF, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Polícia Militar Rodoviária (PMR), o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e outros órgãos competentes.

Como resposta preliminar, a Agência Estadual de Regulação (Agems) informou que duas passagens de fauna já foram implantadas na MS-306 e que outras 23 estruturas estão previstas para a região Leste do Estado — 10 na MS-112, 12 na BR-158 e uma na BR-436. Todas deverão contar com câmeras de monitoramento contínuo.

Apesar das medidas anunciadas, estudos técnicos apontam limitações nas ações atualmente adotadas. Levantamento da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA) indica que a simples instalação de placas de sinalização de fauna tem baixa eficácia na redução de atropelamentos quando não acompanhada de fiscalização, controle de velocidade e passagens adequadas para os animais.

Com o inquérito, o MPMS busca organizar responsabilidades, padronizar os registros de ocorrências e avaliar a efetividade das medidas de mitigação em vigor, além de cobrar transparência e respostas mais consistentes para reduzir os impactos dos atropelamentos de animais nas rodovias da região.

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