A pele: o maior órgão do corpo e um dos mais negligenciados pelos brasileiros
A pele é o maior órgão do corpo humano, cobrindo cerca de 1,8 m² e representando aproximadamente 16% do peso corporal. Além de ser uma barreira protetora contra agentes externos, desempenha funções vitais como a regulação da temperatura, a percepção sensorial e a defesa imunológica. No entanto, apesar de sua importância, os cuidados com a pele ainda são negligenciados pela maioria dos brasileiros.
Uma pesquisa inédita divulgada em junho de 2025 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com o Datafolha e o grupo L’Oréal Brasil, revelou dados alarmantes sobre o comportamento da população em relação à saúde dermatológica.
Um retrato preocupante: 54% nunca consultaram um dermatologista
Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros com 16 anos ou mais nunca consultaram um dermatologista ao longo da vida. Esse número equivale a cerca de 90 milhões de pessoas que nunca receberam avaliação especializada da pele — o maior órgão do corpo.
Entre os idosos com mais de 60 anos, a situação também preocupa: 46% nunca procuraram um dermatologista. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, a taxa de ausência chega a 70%, demonstrando que o descuido atravessa gerações e contextos sociais.
De acordo com a SBD, esses dados revelam não apenas falta de informação, mas também barreiras socioeconômicas e culturais que afastam as pessoas dos cuidados dermatológicos. Em muitas regiões do país, há escassez de profissionais, dificuldade de acesso ao sistema público e a falsa percepção de que o dermatologista é um especialista “voltado apenas à estética”.
Muito além da estética: a importância médica das consultas dermatológicas
A consulta dermatológica vai muito além de tratamentos de beleza. O especialista é responsável por avaliar, diagnosticar e tratar doenças da pele, cabelos e unhas, incluindo condições graves que podem ter consequências sistêmicas.
Entre as doenças mais prevalentes estão:
- Câncer de pele – o tipo de câncer mais comum no Brasil, responsável por cerca de 30% de todos os diagnósticos oncológicos no país.
- Psoríase, vitiligo e dermatites – doenças inflamatórias que afetam a qualidade de vida.
- Infecções de pele, acne, micose, alopecia e alterações das unhas, que podem indicar outros distúrbios internos.
A detecção precoce dessas condições é fundamental. No caso do câncer de pele, por exemplo, quando diagnosticado no início, as chances de cura ultrapassam 90%. Por isso, a SBD reforça a necessidade de consultas regulares, mesmo na ausência de sintomas.
Desinformação e desigualdade no acesso
Os resultados do estudo da SBD apontam que a negligência com a pele está ligada tanto à falta de informação quanto à desigualdade no acesso aos serviços de dermatologia.
Enquanto nas grandes capitais há uma ampla rede de clínicas e consultórios, em regiões mais afastadas a presença de especialistas é reduzida, o que dificulta o acompanhamento preventivo.
Além disso, o custo de consultas particulares e a baixa oferta no SUS são obstáculos que agravam o cenário, principalmente entre idosos e populações de baixa renda.
O papel da prevenção
A prevenção é o pilar central da saúde dermatológica. A SBD recomenda:
- Usar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados.
- Hidratar a pele regularmente.
- Evitar exposição solar intensa entre 10h e 16h.
- Observar pintas, manchas e feridas que não cicatrizam.
- Consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano para check-up da pele.
A entidade também promove campanhas como o Dezembro Laranja, voltado à prevenção do câncer de pele, reforçando a importância de hábitos simples que podem salvar vidas.
Conclusão
Os dados da pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia servem de alerta para toda a população. A pele, apesar de ser o maior órgão do corpo, continua sendo um dos mais negligenciados.
Ignorar sintomas ou deixar de realizar avaliações periódicas pode comprometer não apenas a aparência, mas principalmente a saúde e a qualidade de vida.
Cuidar da pele é um ato de autocuidado e de prevenção. Consultar um dermatologista regularmente deve ser visto não como luxo, mas como parte essencial da rotina de saúde — tanto quanto visitar o clínico geral ou o dentista.
Fontes consultadas:
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – Estudo inédito sobre acesso à dermatologia no Brasil, junho de 2025.
- Datafolha / L’Oréal Brasil – Pesquisa nacional sobre hábitos de cuidado com a pele, 2025.
- Portal Afya Saúde – “90 milhões de brasileiros nunca foram ao dermatologista”, julho de 2025.
- Estado de Minas – “Estudo inédito expõe desafios no acesso à dermatologia”, julho de 2025.
- Guia da Farmácia – “Falta de consultas dermatológicas atinge metade dos brasileiros”, 2025.







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