Campo Grande segue sob gestão de Adriane Lopes (PP) e Camilla Nascimento (Avante). O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS) rejeitou, por maioria, o recurso apresentado pelos partidos PDT e PSDC, que buscavam a cassação dos mandatos da prefeita e sua vice sob acusação de abuso de poder político, econômico e religioso nas eleições municipais.
Dos sete magistrados que compõem o colegiado, cinco votaram contra o pedido de cassação, mantendo a decisão de primeira instância que já havia inocentado as gestoras. A defesa argumentou que não há provas diretas da participação das rés em irregularidades, enquanto os partidos denunciantes sustentavam que houve uma rede organizada para compra de votos e cooptação de lideranças religiosas durante o pleito.
O relator do caso, juiz Alexandre Antunes, abriu a votação negando o recurso e apontando a ausência de elementos que configurassem captação ilícita de votos. Seguiram sua posição os juízes Carlos Alberto Almeida, Carlos Eduardo Contar, Márcio D’Ávila e Sérgio Fernandes — este último destacou a fragilidade dos depoimentos apresentados. Apenas os juízes Vitor Guibo e Fernando Nardon votaram pela cassação, com base em depoimentos que citavam distribuição de dinheiro durante a campanha.
Entre os principais pontos levantados pela acusação, estavam a frequente participação da prefeita em cultos evangélicos, supostamente com viés eleitoral, além da denúncia de que pastores ligados à campanha foram nomeados em cargos comissionados após a vitória nas urnas. A acusação ainda citou o uso de recursos públicos e isenções fiscais como parte de uma estratégia para conquistar o eleitorado evangélico, caracterizando o que chamaram de “abuso de poder religioso”.
Em sua defesa, Adriane e Camilla alegaram que a legislação eleitoral não reconhece formalmente o “abuso religioso” como tipo autônomo e que não houve comprovação de uso indevido da estrutura pública para fins eleitorais. Reforçaram ainda que o apoio político de pastores não configura, por si só, irregularidade, já que se trata de manifestação livre de opinião, e que a presença da prefeita em templos se deve a sua trajetória pessoal e religiosa de mais de duas décadas.
A decisão do juiz eleitoral Ariovaldo Nantes Corrêa, mantida pelo TRE, concluiu que não há elementos suficientes que indiquem que as gestoras se beneficiaram diretamente de práticas ilícitas. Embora o magistrado tenha reconhecido a existência de compra de votos por terceiros, não encontrou provas que ligassem diretamente Adriane e Camilla à prática, determinando, contudo, que o caso fosse encaminhado às autoridades policiais para investigação criminal.
Com isso, Adriane Lopes e Camilla Nascimento seguem no comando da prefeitura de Campo Grande, reforçando a vitória nas urnas e agora também no Judiciário.







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