Teste de rastreamento ocular identifica sinais de autismo em apenas 15 minutos — mas especialistas alertam: método exige cautela
Um novo exame capaz de detectar sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças de 16 meses a 2 anos e meio está provocando otimismo e debates na comunidade médica. A técnica, aprovada nos Estados Unidos, consiste em monitorar os movimentos oculares enquanto os pequenos assistem a 14 vídeos curtos, o resultado sai em até 15 minutos.
Como funciona o exame
O equipamento valuado em cerca de US$ 7 mil (aproximadamente R$ 40–42 mil) capta os movimentos dos olhos com alta frequência (até 120 vezes por segundo), comparando padrões visuais típicos com comportamentos atípicos característicos do espectro autista. A sensibilidade do teste é de cerca de 80%, com precisão maior em casos onde apoio clínico é robusto.
Vantagens do diagnóstico rápido
A principal vantagem da metodologia está em reduzir o tempo de espera pelo diagnóstico. Comumente realizado apenas após os 4 ou 5 anos nos EUA, o TEA poderia ser identificado muito mais cedo — idealmente antes dos 30 meses —, o que permite intervenções precoces e aumentam as chances de ganhos no desenvolvimento.
Limitações e ressalvas
Especialistas destacam que essa abordagem não substitui o diagnóstico clínico completo. A análise ocular é complementar e pode sofrer interferência por transtornos neurológicos ou estados emocionais, como ansiedade, o que pode comprometer os resultados.
Além disso, questões éticas como o acesso desigual entre grupos socioeconômicos e raciais devem ser consideradas, já que crianças negras, por exemplo, tendem a receber diagnósticos mais tarde e com menor precisão.
Situação no Brasil
Apesar do grande potencial, ainda não há previsão para a chegada dessa tecnologia ao Brasil. A aprovação pela ANVISA e adaptação à realidade das redes públicas e privadas de saúde serão necessários antes de qualquer adoção nacional.







0 comentários