..::data e hora::.. 00:00:00
topo_posts

Tatu-canastra é atropelado na BR-262 e caso expõe crise nacional de mortes de fauna nas rodovias

por | out 22, 2025 | Fauna nas Estradas, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Espécie ameaçada de extinção foi atingida por um veículo em Mato Grosso do Sul; estimativas indicam que 9 milhões de animais morrem nas estradas brasileiras todos os anos.

Um tatu-canastra foi encontrado morto às margens da BR-262, entre Três Lagoas e Água Clara (MS), na terça-feira, 14 de outubro de 2025. O animal, o maior tatu do mundo e espécie ameaçada de extinção, foi atingido por um veículo em um trecho sem sinalização ou passagens de fauna. O caso foi registrado por pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS). Estimativas indicam que cerca de 9 milhões de animais silvestres morrem atropelados nas estradas brasileiras todos os anos, o que torna esse tipo de acidente uma das principais causas de perda de biodiversidade no país.

O tatu-canastra (Priodontes maximus) é uma das espécies mais raras da fauna brasileira. De hábitos noturnos e reprodução lenta, uma fêmea pode levar até nove anos para atingir a maturidade e gerar apenas um filhote a cada três ou quatro anos. Por isso, cada atropelamento representa uma perda significativa para o equilíbrio ecológico e genético da espécie.

A BR-262 é considerada uma das rodovias mais perigosas do país para os animais silvestres. Desde 2013, o ICAS monitora o trecho e já registrou dezenas de mortes de grandes mamíferos, como antas, tamanduás e capivaras. Em uma única viagem, foram encontradas 11 antas mortas. O aumento do tráfego pesado, ligado ao transporte de celulose, e a ausência de medidas de mitigação tornam o percurso especialmente crítico tanto para os animais quanto para motoristas.

Onça-parda é morta na BR-060, em Goiás

Dois dias após o atropelamento do tatu-canastra, uma onça-parda foi encontrada morta às margens da BR-060, em Alexânia (GO). O acidente ocorreu em um trecho administrado por concessionária, mas o motorista não foi identificado. O animal foi recolhido e encaminhado à Secretaria de Meio Ambiente de Goiás.

Entre janeiro e outubro de 2025, 36 atropelamentos de animais silvestres já foram registrados em rodovias federais do estado, com duas mortes humanas associadas a esses acidentes. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que vai solicitar ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a instalação de sinalizações, barreiras direcionadoras e passagens de fauna em pontos considerados críticos.

Capivaras e outros atropelamentos no Sudeste

No interior de São Paulo, as capivaras têm sido vítimas frequentes em rodovias que cortam áreas de mata e zonas urbanas. Recentemente, um grupo foi atingido por veículos em trecho da Rodovia Dutra, deixando filhotes órfãos e gerando comoção entre motoristas. O aumento de acidentes levou prefeituras e concessionárias a anunciarem novas sinalizações e barreiras de contenção em pontos estratégicos, especialmente próximos a represas e áreas de várzea.

Além de sofrerem com o risco de atropelamento, as capivaras são animais de hábitos coletivos, o que multiplica as chances de colisões em série. Como costumam se deslocar em grupos, um único acidente pode atingir vários indivíduos de uma só vez. A espécie é também uma das mais comuns em registros de atropelamentos noturnos, já que costuma se alimentar nas margens de rodovias durante a madrugada.

Os três casos — tatu-canastra no Mato Grosso do Sul, onça-parda em Goiás e capivaras no Sudeste — refletem uma tendência crescente nas estradas brasileiras. A expansão das rodovias sobre áreas de vegetação, o desmatamento e o aumento do tráfego têm transformado as pistas em armadilhas para a fauna.

Mesmo com números alarmantes, apenas rodovias concessionadas são obrigadas a adotar medidas de mitigação, como cercas e passagens subterrâneas. O Projeto de Lei 466/2015, que propõe a instalação obrigatória dessas estruturas em rodovias federais, segue sem votação há dez anos no Congresso Nacional.

Enquanto o país adia soluções, milhões de animais continuam morrendo nas estradas. As mortes do tatu-canastra, da onça-parda e das capivaras mostram que o problema vai além da perda da fauna: revelam o custo da falta de planejamento ambiental e a urgência de integrar conservação e mobilidade nas políticas públicas brasileiras.

final_texto_post

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/*** Collapse the mobile menu - WPress Doctor ****/