EUA recorrem à carne brasileira para hambúrgueres, mas tarifa de Trump pressiona mercado
Durante meses, as hamburguerias americanas se apoiaram na carne bovina brasileira para manter seus clientes satisfeitos. Em 2025, o Brasil respondeu por 27% das importações de carne bovina dos EUA, o maior índice entre todos os países fornecedores. Só de janeiro a maio, as compras de carne moída brasileira dobraram em relação ao ano anterior.
O cenário, no entanto, mudou com a imposição de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, determinada pelo governo Trump. A medida vem obrigando os importadores americanos a buscar alternativas em países como a Austrália e o Canadá. O problema, segundo Wesley Batista Filho, CEO da unidade americana da JBS, é que esses países não têm capacidade de substituir integralmente o Brasil.
A pressão sobre a oferta se reflete diretamente no consumidor. Nos supermercados, os preços da carne moída subiram quase 12% em julho, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Para os restaurantes, o desafio é ainda maior: a escassez de carne magra, essencial para os hambúrgueres, leva frigoríficos a usar cortes nobres — como o “round primal”, normalmente destinados a bifes — para suprir a demanda, o que deve encarecer ainda mais os custos.
Além da crise de preços, a dependência crescente dos EUA de carne importada também expõe fragilidades na produção doméstica. Em 2024, uma seca histórica reduziu os rebanhos americanos ao menor nível em sete décadas, ampliando a necessidade de recorrer a fornecedores externos. “Essa carne magra terá que vir de algum lugar. As coisas terão que mudar”, afirmou Batista Filho.
Enquanto isso, gigantes do setor como JBS e Marfrig podem sair fortalecidos. Já a cadeia de restaurantes de fast food encara um dilema: ou paga mais caro pela carne, ou busca novas alternativas para não repassar integralmente a alta ao consumidor final.







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