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STF mantém afastamento de desembargadores de MS acusados de corrupção em escândalo bilionário

por | abr 24, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prorrogação, por mais 180 dias, do afastamento de quatro desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), investigados por envolvimento em um dos maiores esquemas de corrupção já registrados no Judiciário estadual. A decisão foi assinada pelo ministro Cristiano Zanin e mantém as restrições impostas desde outubro de 2024, no âmbito da Operação Ultima Ratio, conduzida pela Polícia Federal.

Os magistrados Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Sideni Soncini Pimentel e Vladimir Abreu da Silva são alvos da investigação, que apura crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos, extorsão e formação de organização criminosa. Também são citados o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Osmar Jeronymo, e seu sobrinho, Danillo Moya Jeronymo, servidor do próprio TJMS.

Entre as medidas cautelares renovadas estão a proibição de acesso às dependências do tribunal, ao sistema interno e qualquer contato com servidores da Justiça. Apesar da gravidade das acusações e da apreensão de mais de R$ 3 milhões em espécie — sendo R$ 2,7 milhões encontrados na residência de um dos desembargadores — os investigados não utilizam tornozeleiras eletrônicas, fato que levanta questionamentos sobre o privilégio judicial.

A Operação Ultima Ratio, que teve autorização inicial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é resultado de mais de três anos de investigação da Polícia Federal. Além do dinheiro, armas de fogo também foram apreendidas durante as diligências.

Para especialistas em Direito, o caso compromete a imagem do Judiciário perante a sociedade. “Quando juízes viram réus, a confiança na Justiça entra em colapso. A impunidade enfraquece a democracia”, afirma o jurista Lênio Streck.

Outro ponto que chama atenção é o silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou oficialmente sobre os relatórios da investigação, o que motivou Zanin a prorrogar o afastamento por precaução. A ausência de punições efetivas e a morosidade do processo judicial geram insatisfação popular e reforçam a percepção de que há um sistema paralelo de justiça para membros da alta cúpula do Estado.

De acordo com a Transparência Internacional, o Brasil ocupa a 104ª posição no ranking global de percepção da corrupção — reflexo direto da falta de reformas profundas no sistema de controle e fiscalização do Judiciário. Para o cidadão sul-mato-grossense, resta a dúvida: quem vigia os que deveriam zelar pela lei?

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