Segundo filho tem até 40% mais chances de apresentar comportamentos desafiadores, indica pesquisa do MIT e Northwestern
Pesquisas conduzidas por equipes do MIT (Massachusetts Institute of Technology), da Northwestern University e de outras instituições revelaram um padrão intrigante ao analisar famílias nos Estados Unidos e na Europa: o segundo filho — especialmente quando é menino — tende a apresentar mais comportamentos desafiadores do que o primogênito.
Os dados analisados pelos pesquisadores mostram que meninos que ocupam a posição de segundo nascimento têm entre 20% e 40% mais probabilidade de enfrentar dificuldades escolares, apresentar comportamentos disruptivos ou até se envolver em situações legais, quando comparados aos irmãos mais velhos.
A informação foi reforçada pelo economista Joseph Doyle, um dos autores do estudo, que destaca que essa diferença aparece mesmo em famílias com características socioeconômicas semelhantes.
A dinâmica familiar como principal explicação
Segundo os especialistas, uma possível explicação para esse fenômeno está na mudança de rotina e atenção dentro da família.
Com a chegada do segundo filho, os pais precisam dividir o foco e o tempo, reduzindo a supervisão que, no caso do primogênito, era exclusiva nos primeiros anos de vida.
Além disso, o segundo filho passa a ter não apenas os pais como referência, mas também o irmão mais velho — que ainda está em desenvolvimento e nem sempre é um modelo de comportamento tão maduro quanto um adulto.
Os pesquisadores descartam fatores como saúde ao nascer, qualidade da escola ou condições socioeconômicas como responsáveis pelo padrão.
A diferença, segundo eles, está na dinâmica de criação e na distribuição de atenção dentro do lar.
Efeito mais forte entre meninos
O estudo também identificou que o efeito é mais acentuado em meninos do que em meninas.
Embora não exista uma explicação definitiva, os autores sugerem que meninos tendem, em média, a responder mais fortemente a mudanças no ambiente social e na supervisão parental.
O que isso significa para as famílias
Os especialistas ressaltam que os achados não determinam o destino de nenhuma criança, mas chamam atenção para a importância da qualidade da supervisão e da participação dos pais, especialmente quando novos filhos chegam.
O estudo reforça a necessidade de famílias e educadores estarem atentos às mudanças de comportamento e às demandas de cada filho — lembrando que ordem de nascimento não define caráter, e sim contextos e dinâmicas que podem ser ajustadas.







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