Com a proximidade do Dia da Saúde Ocular, data oficial no calendário do Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) chama a atenção para a importância do cuidado responsável com a visão e combate a práticas ilegais em ações oftalmológicas. Em fiscalizações recentes, a Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária, em parceria com as vigilâncias sanitárias municipais, atuou para barrar mutirões irregulares de exames oftalmológicos em diferentes cidades do estado.
Em um dos municípios, a fiscalização impediu o início dos atendimentos devido à ausência de licença para funcionamento, estrutura física inadequada e, principalmente, pela prática ilegal de vincular o exame visual à venda de lentes e armações. Situações semelhantes foram identificadas em outras localidades, com mutirões suspensos durante a fiscalização por oferecerem condições insalubres e realizarem o que a legislação considera “venda casada”, o que compromete a qualidade do atendimento e coloca a população em risco.
Matheus Pirolo, gerente de Apoio ao Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, ressalta que essas ações clandestinas ocorrem, muitas vezes, em locais sem alvará, com equipamentos não higienizados ou desregulados. “A população é exposta a riscos concretos de contaminação, má prescrição de grau e produtos de baixa qualidade, além de ter seus direitos como consumidor violados”, alertou.
A orientação da SES é clara: a população deve buscar atendimento com profissionais habilitados, em estabelecimentos devidamente licenciados e com alvará sanitário visível. A promessa de “exame gratuito” associada à venda de óculos deve acender o sinal de alerta.
O oftalmologista Heron Leal Farias também reforça o alerta. Segundo ele, usar óculos sem avaliação médica pode provocar diversos sintomas e até agravar problemas oculares existentes.
“Usar óculos sem prescrição médica pode parecer uma solução rápida para quem começa a ter dificuldade para enxergar, mas essa escolha pode trazer riscos importantes à saúde ocular e à segurança no dia a dia. Sem passar por uma consulta oftalmológica, é comum que o grau das lentes esteja inadequado, o que pode provocar sintomas como dor de cabeça, tontura, visão embaçada e cansaço visual. Esses desconfortos não apenas comprometem a qualidade de vida, mas também aumentam o risco de acidentes, especialmente ao dirigir ou operar máquinas, atividades nas quais a visão deve estar precisa e confiável”, destacou Heron.
O especialista ainda ressalta que, ao pular a consulta, o paciente perde a chance de diagnosticar doenças oculares silenciosas, como glaucoma, catarata e alterações na retina, além de sinais de doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão, que frequentemente se manifestam nos olhos.
A recomendação das autoridades e dos profissionais é unânime: exames visuais devem ser feitos com seriedade, em locais seguros, para garantir não apenas a saúde ocular, mas o bem-estar geral da população sul-mato-grossense.







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