As chuvas intensas que atingiram a região de Jardim e Bonito nos últimos dias não foram capazes de esconder um verdadeiro espetáculo da natureza: a famosa “trilha submersa” voltou a surgir, revelando o sucesso das ações de conservação do solo executadas pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Com um acumulado de 220 mm em apenas sete horas, era esperado que os rios da região apresentassem alta turbidez, como ocorria em anos anteriores. No entanto, o rio Olho D’Água, afluente do rio da Prata, manteve suas águas cristalinas, inundando passarelas de madeira e criando o fenômeno natural que encanta turistas e moradores: a trilha submersa. O espetáculo é resultado direto das práticas sustentáveis de manejo do solo, como afirma o secretário Jaime Verruck. Segundo ele, o retorno visível comprova que os esforços estão no caminho certo e devem ser ampliados.
A área onde ocorre o fenômeno está inserida dentro de uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), o que reforça a importância da preservação ambiental como pilar para o ecoturismo. Eduardo Coelho, diretor do Grupo Rio da Prata, destacou que a conservação da mata ciliar tem sido fundamental para manter a integridade dos rios.
Outro curso d’água que também apresentou avanços foi o rio Formoso, principalmente em sua parte alta. O produtor rural e empreendedor turístico Lucas Alves observa melhorias significativas nos últimos três anos, embora ainda existam pontos que demandam maior atenção.
Esses resultados fazem parte do Prosolo, programa lançado em 2021 que integra o Proclima – projeto estadual que busca tornar Mato Grosso do Sul um território carbono neutro até 2030. As ações do Prosolo envolvem desde o terraceamento e recuperação de estradas rurais até a aquisição de equipamentos e maquinários utilizados em práticas conservacionistas em 19 municípios, incluindo Bonito, Jardim e Bodoquena.
Na região, a chamada Patrulha Ambiental – composta por máquinas como retroescavadeiras, tratores, caminhões e terraceadores – tem atuado diretamente na recuperação de áreas degradadas e contenção de processos erosivos. Segundo o secretário executivo Rogério Beretta, o objetivo é integrar práticas agrícolas e ambientais para garantir sustentabilidade no campo e preservação dos recursos hídricos.
A execução das ações também envolve acompanhamento técnico constante. Equipes do Prosolo realizam visitas a propriedades rurais para avaliar e ajustar metodologias de acordo com as especificidades de cada solo e sistema hídrico. Projetos inadequados são readequados com apoio técnico especializado, segundo o engenheiro agrônomo Paulo Gimenes, responsável pela fiscalização das ações.
Outro marco da política ambiental na região foi a criação da Câmara Técnica de Conservação do Solo e da Água, que atua na análise de empreendimentos e projetos. Em 2024, o colegiado já avaliou mais de uma centena de propostas e promoveu capacitações para técnicos e gestores locais.
Com o ecoturismo como um dos principais motores da economia regional, iniciativas como essas reafirmam o compromisso de Mato Grosso do Sul com a proteção dos seus recursos naturais – e garantem que as futuras gerações possam continuar a viver e se encantar com a beleza das águas cristalinas de Jardim e Bonito.







0 comentários