Uma manhã comum na cidade de Sertãozinho, a quatro horas de São Paulo, ganhou contornos dramáticos quando trabalhadores da usina de açúcar e etanol Santa Elisa, da Raízen, receberam a notícia de que suas atividades estavam suspensas por tempo indeterminado. O fechamento, anunciado em julho, resultou na demissão de quase todos os funcionários, impactando diretamente a economia local após quase 90 anos de operações.
Entre os afetados, Natã Nobrega, técnico que dedicou duas décadas à usina, expressou seu choque e tristeza ao contemplar a situação de seus colegas: “Ninguém esperava por isso”. O fechamento da Santa Elisa é um reflexo das dificuldades enfrentadas pela Raízen, joint venture da Cosan SA e Shell Plc, que viu sua dívida saltar em 56% no último ano.
Impactos econômicos e sociais
A demissão de até 1.200 trabalhadores não é apenas uma perda individual, mas um golpe significativo para a economia local. A usina, que já foi a maior do mundo no setor, fechou as portas em um momento crítico para a Raízen, que busca reorganizar suas finanças e está em busca de um aporte de capital.
- Em julho, a Raízen anunciou negociações para receber investimentos externos.
- As ações da empresa caíram 15%, atingindo o menor valor desde seu IPO.
- A dívida líquida da empresa alcançou R$ 49 bilhões, um aumento de R$ 17,4 bilhões em relação ao ano anterior.
Desafios para a Raízen e o futuro da usina
A compra da Biosev, que trouxe mais dívidas e prejuízos, e as apostas em biocombustíveis que não deram o retorno esperado, dificultam ainda mais a recuperação da Raízen. Na expectativa de se reerguer, a empresa iniciou um processo de desinvestimento, vendendo ativos para reduzir sua carga financeira.
“A jornada de desinvestimento vai continuar”, afirmou o diretor financeiro Rafael Bergman, evidenciando que a empresa busca um novo caminho em um cenário econômico desafiador.
Perspectivas futuras
Enquanto a Raízen busca novos investidores, a comunidade de Sertãozinho enfrenta um futuro incerto. Moradores, como Maurilio Biagi Filho, ex-executivo da Santa Elisa, expressam sua frustração: “Acredito que um dia poderemos voltar a crescer, mas os fatores econômicos pesam mais que a esperança”.







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