..::data e hora::.. 00:00:00
topo_posts

Projeto “Inibidor de Animais Silvestres” apresenta resultados promissores na MS-040 durante webinário do Instituto Sustentar

por | out 17, 2025 | Fauna nas Estradas, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Promovido pelo Instituto Sustentar, em parceria com a Verdelho Comunicação, o webinário “Fauna nas Estradas: Risco de Vida para Animais e Pessoas” reuniu, nos dias 13, 14 e 15 de maio, alguns dos maiores especialistas do Brasil para discutir os impactos das rodovias sobre a fauna silvestre e propor formas de mitigação para esse grave problema.

Divulgação

O evento contou com o apoio das seguintes instituições: ICAS – Instituto de Conservação de Animais SilvestresUNEMAT – Universidade do Estado de Mato GrossoREET Brasil – Rede de Especialistas em Ecologia de TransportesInstituto SOS PantanalObservatório Rodovias Seguras para Todos e Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

No terceiro e último dia de palestras, o Painel 1 – Rota para o Caminho Certo contou com a participação de Lucas Barbosa, engenheiro civil e especialista em segurança viária da ARC Mobilidade. Ele apresentou o tema “Experiência de utilização do inibidor de animais silvestres na MS-040 – Rodovia das Antas”.

Abaixo, o resumo de sua palestra:

Refletores contra atropelamentos: projeto ‘Inibidor de Animais Silvestres’ mostra resultados promissores na MS-040

Lucas Barbosa, engenheiro civil e especialista em segurança viária

Na palestra, Lucas Barbosa — engenheiro civil com mais de dez anos de experiência na área de sinalização viária — apresentou o projeto “Inibidor de Animais Silvestres”, uma solução inovadora desenvolvida pela empresa Arc Mobilidade, especializada em projetos voltados à segurança no trânsito. A iniciativa visa reduzir os atropelamentos de fauna silvestre em rodovias, protegendo tanto os animais quanto os condutores. O foco principal da apresentação foi a instalação de refletores especiais na rodovia MS-040, em Mato Grosso do Sul, uma via conhecida pelo alto índice de acidentes envolvendo animais silvestres, especialmente antas — a ponto de ter recebido o apelido de “Rodovia das Antas” ou até “Rodovia da Morte”.

Lucas começou contextualizando o projeto com um caso anterior de sucesso: há cerca de 20 anos, a ARC implantou no Parque Estadual do Morro do Diabo (SP), um sistema semelhante com o objetivo de evitar atropelamentos de onças. O resultado, segundo ele, foi impressionante — os acidentes com esses animais praticamente zeraram. A experiência ficou registrada na memória da empresa e, décadas depois, motivou a equipe a retomar o conceito, agora de maneira mais tecnológica e estruturada.

A escolha pela MS-040 se deu por ser uma rodovia crítica no quesito atropelamento de fauna. Lucas compartilhou dados alarmantes: estima-se que ocorram cerca de 475 milhões de atropelamentos de animais por ano no Brasil. Em 2017, somente em rodovias federais, a Polícia Rodoviária registrou 2.600 acidentes envolvendo animais, sendo 434 classificados como graves e 103 com vítimas fatais. A maioria desses acidentes ocorre à noite, quando a visibilidade é mais baixa e os veículos trafegam em alta velocidade — uma combinação perigosa que torna quase impossível evitar a colisão com um animal na pista.

A solução proposta é simples, mas eficaz: trata-se de refletores instalados em sequência ao longo da estrada, que interagem com os faróis dos veículos durante a noite. Quando um carro se aproxima, o farol baixo incide sobre os dispositivos, que refletem luz azul e branca para as margens da via. Essa combinação de cores foi escolhida com base em estudos que indicam que a luz branca intensifica a luz azul, tornando-a visualmente incômoda para animais de médio e grande porte. O efeito não visa impedir a circulação dos animais, mas inibir a travessia no momento em que há trânsito de veículos. Assim, eles permanecem nas margens até que a rodovia esteja segura para atravessar.

Lucas trouxe também exemplos internacionais de uso da tecnologia. Países como Áustria, Alemanha e Itália já utilizam refletores semelhantes com bons resultados: as estatísticas mostram uma redução de 25% a 70% no número de acidentes com fauna. As imagens mostradas durante a palestra exibiam diferentes formas de instalação dos equipamentos — em cercas, árvores, postes de madeira ou fachadas — adaptando-se à topografia local. Em algumas regiões, os refletores são usados em zonas com presença de grandes animais como ursos e alces, especialmente em épocas de migração ou caça.

No Brasil, o trecho de teste teve cerca de 1 km de extensão e contou com a instalação de 160 dispositivos, espaçados a cada 10 metros. Além dos refletores, o projeto incorporou oito câmeras térmicas com tecnologia analítica, equipamentos com algoritmos que reconhecem movimento e calor, capazes de identificar a presença de animais, registrar seus comportamentos e monitorar a efetividade do sistema. Antes mesmo da instalação, a equipe já havia registrado a presença de carcaças de animais atropelados ao longo do trecho. Após três meses de funcionamento do sistema, verificou-se que nenhum novo atropelamento ocorreu no segmento com os inibidores. Em contraste, trechos próximos a poucos metros de distância continuavam apresentando vestígios de acidentes, o que reforça a eficácia do sistema implantado.

Um exemplo visual muito marcante apresentado por Lucas foi o de uma anta um animal de grande porte que pode ocupar metade da pista sendo flagrada pelas câmeras ao lado da estrada. Quando um veículo se aproximou, o animal parou imediatamente, visivelmente incomodado pela luz. Só após a passagem do carro, e depois de algum tempo, é que a anta voltou a se movimentar e atravessou a pista com segurança. Isso mostra que os refletores realmente funcionam como barreiras momentâneas, impedindo travessias arriscadas durante o tráfego e permitindo a movimentação segura dos animais em horários de menor fluxo.

Lucas também destacou a preocupação ambiental do projeto. Os refletores são instalados com suportes feitos de material reciclável e resistente a incêndios, o que garante durabilidade e sustentabilidade ao sistema. Além disso, a instalação não representa uma barreira física nem interfere nos hábitos dos animais de forma agressiva, mantendo o equilíbrio ecológico local.

A palestra terminou com a exibição de um vídeo com imagens reais do projeto, ilustrando as cenas de atropelamentos antes da instalação e o funcionamento dos dispositivos ao longo da rodovia. Lucas finalizou respondendo a perguntas do público, esclarecendo que o projeto foi implantado no final de 2024 e ainda está em fase experimental, mas que há interesse em expandi-lo para outras rodovias. Ele também mencionou a possibilidade de parcerias com organizações como o ICAS, que há mais de uma década realiza pesquisas na MS-040 e possui dados valiosos para comparações futuras. Quando questionado sobre a durabilidade dos dispositivos, Lucas explicou que será necessário monitoramento contínuo para verificar sua efetividade a longo prazo, mas reforçou que o início dos testes já apresentou resultados extremamente promissores.

Lucas Barbosa – Engenheiro civil e especialista em segurança viária na ARC Mobilidade

Para assistir à íntegra o terceiro e último dia do webinário Fauna nas Estradas, clique aqui.

final_texto_post

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/*** Collapse the mobile menu - WPress Doctor ****/