Desde dezembro de 2024, o Posto de Identificação do Pátio Central, em Campo Grande, se tornou referência em acessibilidade e respeito. Com a criação da sala sensorial “Posto Amigo do Autista”, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) passaram a contar com um ambiente especialmente adaptado para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). O espaço promove acolhimento, reduz estímulos sensoriais e proporciona um atendimento humanizado e eficiente.
A idealização do projeto partiu da perita papiloscopista Maira Cappi, que propôs a iniciativa após vivências pessoais e profissionais que revelaram as dificuldades enfrentadas por pessoas neurodivergentes em ambientes públicos. A proposta foi tão relevante que conquistou o XVIII Prêmio Sul-Mato-Grossense de Inovação na Gestão Pública, e, com apoio da deputada estadual Mara Caseiro, foi integrada ao contrato de gestão entre a Polícia Científica e a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), garantindo R$ 82 mil em investimentos para sua concretização.
A sala conta com iluminação suave, isolamento acústico, ar-condicionado, brinquedos sensoriais e toda uma estrutura pensada para minimizar desconfortos causados por luz, sons e toques — barreiras comuns para pessoas com hipersensibilidade. Toda a unidade também foi ampliada: de 125 m² passou para 180 m², com revisão de fluxos e criação de um espaço exclusivo de 15 m² para acolhimento.
Para o coordenador-geral de Perícias, José de Anchiêta Souza Silva, a ação é um passo importante rumo a uma Polícia Científica mais humana.
“Essa é uma prática que pode e deve ser replicada em outros municípios. O foco é garantir atendimento digno para todos”, declarou. Já o diretor do Instituto de Identificação, Daniel Freitas, reforçou a importância de políticas públicas inclusivas: “Acolher é um dever, e estamos comprometidos com isso.”
Os resultados já são visíveis: desde o início de 2024, mais de 1.700 documentos de identidade com o símbolo do TEA foram emitidos no estado, demonstrando a adesão ao novo modelo de atendimento.
Luciene Ribeiro, mãe do pequeno Daniel, de 11 anos, compartilhou o impacto dessa mudança.
“Antes, não conseguíamos concluir o atendimento por conta da sobrecarga. Desta vez, ele ficou calmo, tranquilo, acolhido. Foi transformador”, emocionou-se.
A sala sensorial do Posto Amigo do Autista não é apenas um espaço físico adaptado — é um símbolo de empatia, inclusão e respeito às diferenças. Um avanço que torna o Mato Grosso do Sul referência nacional em atendimento humanizado.







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