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Pesquisadores alertam sobre a mortalidade de fauna nas rodovias mato-grossenses

por | out 31, 2025 | Fauna nas Estradas, NOTÍCIAS | 1 Comentário

Promovido pelo Instituto Sustentar, em parceria com a Verdelho Comunicação, o webinário “Fauna nas Estradas: Risco de Vida para Animais e Pessoas” reuniu, nos dias 13, 14 e 15 de maio, alguns dos maiores especialistas do Brasil para discutir os impactos das rodovias sobre a fauna silvestre e propor formas de mitigação para esse grave problema.

Divulgação

O evento contou com o apoio das seguintes instituições: ICAS – Instituto de Conservação de Animais SilvestresUNEMAT – Universidade do Estado de Mato GrossoREET Brasil – Rede de Especialistas em Ecologia de TransportesInstituto SOS PantanalObservatório Rodovias Seguras para Todos e Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

Dando início ao último painel do webinário, Adriano Romano, em conjunto com Isabela Ribeiro, apresentou o tema “Mortalidade de fauna em rodovias: perspectivas no Mato Grosso”. Romano é mestre em Ensino de Biologia, gestor ambiental e professor da UNEMAT.

Abaixo, o resumo de sua palestra:

Mortalidade de fauna em rodovias: desafios e perspectivas no Mato Grosso

Adriano Romano, mestre em ensino de biologia, gestor ambiental e professor da UNEMAT

Na palestra com o tema “Mortalidade de Fauna em Rodovias – Perspectivas no Mato Grosso”, o biólogo, gestor ambiental e professor universitário Adriano Romano abordou de forma reflexiva e provocativa o cenário das colisões com fauna no estado do Mato Grosso. Iniciando sua fala com uma introdução geral ao contexto geográfico e ambiental da região, ele destacou a singularidade do estado por abranger três importantes biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado e Pantanal — e mostrou, por meio de imagens de rodovias inseridas nesses diferentes ambientes, como as características e desafios se diferenciam entre eles.

Adriano destacou a rodovia Transpantaneira (não pavimentada e já monitorada), a rodovia do Parque da Chapada dos Guimarães (com tráfego intenso) e uma via no norte do estado, na região amazônica, onde foi implantada uma passagem de fauna aérea em projeto com participação da especialista Fernanda Abra. A partir desse cenário, ele introduziu um contraponto entre o alto potencial de biodiversidade do Mato Grosso e o crescimento da atividade agrícola, marcada por recordes de produção de soja, milho e algodão. Essa expansão exige escoamento logístico intenso, e com isso vem o crescimento da malha rodoviária.

O estado possui cerca de 33 mil quilômetros de estradas estaduais, das quais apenas 10 mil são pavimentadas. Um número ainda menor, 1.417 km, está sob concessão da iniciativa privada e conta com algum nível de monitoramento de fauna. Isso levanta questões sobre os 20 mil quilômetros de estradas sem qualquer acompanhamento formal: quem monitora os impactos nessas regiões? Existe registro de colisões com fauna? Como fazer isso em estradas não pavimentadas?

Ao lançar essas perguntas, Adriano convidou o público a refletir sobre os custos ambientais do desenvolvimento econômico, enfatizando a ausência de dados e de políticas públicas eficazes para monitoramento e mitigação. Ele lembrou que estados como Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro já estão mais avançados no tema, enquanto o Mato Grosso ainda enfrenta desafios estruturais e institucionais, especialmente nas regiões de menor infraestrutura.

Adriano também destacou a importância de se identificar as espécies mais afetadas pelas colisões, relembrando dados apresentados anteriormente por Amanda Messias sobre hotspots de atropelamento e ressaltando o papel ecológico dos animais mortos, como dispersores de sementes e mantenedores do equilíbrio ecológico. A falta desses animais impacta diretamente a saúde dos ecossistemas.

Outro ponto relevante de sua fala foi a influência das mudanças climáticas, como eventos extremos e queimadas, na dinâmica das colisões. Ele compartilhou que, durante períodos críticos de queimadas, houve alteração nos padrões de movimentação da fauna, o que se refletiu diretamente nos dados de atropelamento coletados.

Por fim, Adriano mencionou ações positivas em andamento, como grupos de pesquisadores e voluntários que atuam nas regiões de Cáceres e Poconé — áreas com forte apelo turístico —, além do envolvimento da Universidade do Estado do Mato Grosso e outras instituições em pesquisas voltadas ao tema. Encerrando sua participação, ele passou a palavra para Isa Ribeiro, que daria sequência ao painel apresentando dados mais detalhados sobre as pesquisas realizadas na região.

Adriano Romano – Mestre em ensino de biologia, gestor ambiental e professor da UNEMAT

Para assistir à íntegra o terceiro e último dia do webinário Fauna nas Estradas, clique aqui.

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1 Comentário

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