A geração que trocou a ressaca por bem-estar: jovens bebem menos e priorizam o equilíbrio
Uma tendência silenciosa vem transformando os hábitos noturnos dos brasileiros mais jovens. De acordo com o Relatório Covitel 2023, a parcela de pessoas entre 18 e 24 anos que consomem álcool três ou mais vezes por semana caiu de 10,7% (antes da pandemia) para 8,1% em 2023.
Pela primeira vez, essa faixa etária deixou de liderar o consumo regular de álcool, sendo superada por adultos de 45 a 54 anos (9,1%) e 55 a 64 anos (8,7%). A mudança revela um comportamento que vai além das estatísticas — e expõe uma nova relação entre juventude, diversão e autocuidado.
Menos copos, mais consciência
Especialistas apontam que a Geração Z está redefinindo o que significa “curtir a noite”. Festas até o amanhecer e ressacas prolongadas estão perdendo espaço para saídas mais curtas, eventos diurnos e experiências sem álcool.
Aplicativos de bebida sem teor alcoólico, espaços “sober friendly” e o movimento low & no alcohol crescem nas grandes cidades brasileiras, impulsionados por influenciadores que pregam um estilo de vida mais equilibrado.
“Os jovens de hoje associam autocuidado a saúde mental e produtividade. Dormir bem, treinar e acordar disposto no dia seguinte se tornaram formas de status”, explica a psicóloga comportamental Lívia Andrade, especialista em comportamento de consumo.
Dados revelam contraste com gerações anteriores
Enquanto os mais jovens reduzem o consumo regular, os adultos acima dos 40 anos se tornam o novo grupo que mais bebe com frequência.
Pesquisadores do Covitel apontam que essa inversão pode estar ligada à rotina pós-pandemia, com maior estresse e busca por relaxamento entre os mais velhos — especialmente após a consolidação do home office e das jornadas híbridas.
Por outro lado, o consumo abusivo em ocasiões pontuais ainda preocupa: 32,6% dos jovens de 18-24 anos relataram ter ingerido grandes quantidades de álcool em uma única ocasião no último mês.
Uma nova forma de viver a noite
Longe de ser apenas uma moda, o fenômeno reflete uma mudança cultural mais ampla. Sair menos tarde e voltar para casa cedo virou sinônimo de equilíbrio — não de tédio.
O prazer agora vem de outras formas: trilhas, cafés, eventos culturais, música ao vivo e esportes ao ar livre substituem os velhos “rolês etílicos”.
A era da ressaca prolongada parece, de fato, estar ficando para trás.







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