Com mais de três séculos de história na pecuária, o Pantanal sul-mato-grossense passa a contar com um plano estratégico voltado ao fortalecimento de suas principais cadeias produtivas. O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), apresentou um diagnóstico técnico que servirá como base para o Plano de Fortalecimento das Cadeias Pecuárias do Pantanal.
A pesquisa, conduzida pelos consultores Marcelo Rondon de Barros e Janielly Barros, foi elaborada a pedido da Secretaria Executiva de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SEDES) e entregue a representantes do Governo do Estado, incluindo o secretário Jaime Verruck. O estudo mapeia o cenário atual das atividades pecuárias pantaneiras e propõe ações para modernizar a produção sem abrir mão da conservação ambiental.
Um novo olhar para a tradição
A bovinocultura de corte, que concentra mais de 4,2 milhões de cabeças no bioma – aproximadamente 23% do rebanho estadual – é o destaque do plano. Apenas em 2024, a comercialização de bois e bezerros movimentou mais de R$ 5 bilhões, consolidando o Pantanal como um dos maiores fornecedores de animais para engorda e abate em Mato Grosso do Sul.
Entre as propostas do plano estão a criação de selos de origem, estímulo à exportação com maior habilitação de frigoríficos, rastreabilidade do couro e a ampliação de políticas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). “A atividade pecuária existe há pelo menos 300 anos no Pantanal. Com este estudo, temos uma visão mais profunda sobre cada segmento, o que nos permite estruturar ações específicas e efetivas”, destacou o secretário Jaime Verruck.
Diversificação e potencial de crescimento
Além do gado de corte, o diagnóstico abrange outras cadeias produtivas importantes para o Pantanal: ovinos, abelhas, jacarés, peixes e equinos. Ovinocultura e apicultura, por exemplo, mostram sinais de retomada com valorização da raça pantaneira e reconhecimento do mel regional por meio da Indicação Geográfica. O plano propõe regularização das produções, capacitação dos produtores e novos protocolos de sustentabilidade.
A piscicultura também foi apontada como promissora, desde que haja investimentos em genética e manejo adequado. Já a cadeia do jacaré-do-pantanal deve ganhar fôlego com incentivo ao sistema “headstarting”, que beneficia pequenos produtores. Por fim, a equideocultura — essencial na lida pantaneira — será fortalecida com incentivos ao registro e promoção da raça pantaneira.
Infraestrutura e integração de políticas
O plano alerta para a necessidade de melhorias estruturais: mais estradas, aterros, portos fluviais e modernização das inspeções sanitárias. Outro ponto é a importância da integração entre órgãos como IAGRO, IBGE, AGRAER e SENAR para garantir que a produção avance sem comprometer a preservação ambiental.
Com abrangência sobre 11 sub-regiões do Pantanal, o documento aponta dados que reforçam a evolução sustentável da pecuária regional. “Hoje, 45% dos animais abatidos estão inseridos em programas estaduais como o Precoce MS e a Pecuária Sustentável, o que demonstra que estamos no caminho certo entre tradição, produção e preservação”, finalizou Verruck.







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