O Pantanal sul-mato-grossense é um dos biomas mais preservados do mundo, com 84% de sua vegetação nativa intacta. No entanto, enfrenta desafios crescentes devido às mudanças climáticas, que alteram o regime de chuvas e intensificam os períodos de seca. Esse cenário torna o bioma ainda mais vulnerável aos incêndios florestais, um fenômeno natural que, sem controle, pode se tornar devastador.
Para entender os impactos do fogo e desenvolver estratégias eficazes de manejo, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) realizam um estudo detalhado sobre a resiliência do Pantanal. A pesquisa, iniciada em 2021, integra o programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld) e busca compreender a melhor época para realizar queimadas controladas, evitando grandes incêndios futuros.
“O Pantanal tem uma dinâmica própria, marcada por períodos de seca e cheia. O fogo sempre fez parte desse ciclo, mas as mudanças climáticas têm modificado esse equilíbrio. Nosso estudo avalia como a vegetação se recupera após os incêndios e busca definir estratégias para minimizar os danos”, explica o biólogo e professor da UFMS, Geraldo Damasceno Júnior.
Além do monitoramento científico, o Governo do Estado mantém esforços contínuos para a prevenção e combate ao fogo. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) mantém bases avançadas em áreas remotas para agilizar o controle de incêndios, enquanto programas educativos orientam comunidades locais e produtores rurais sobre a importância do manejo integrado do fogo.
Os dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) reforçam a preocupação: entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, o déficit de chuvas ultrapassou 200 mm em regiões como Porto Murtinho e Porto Esperança. Em 2023, o cenário foi ainda pior, com déficit de 400 mm no mesmo período.
“As chuvas estão cada vez mais irregulares, e a previsão indica que elas permanecerão abaixo da média histórica nos próximos meses”, alerta a meteorologista Valesca Fernandes.
Com a intensificação da seca e a ameaça constante do fogo, o Pantanal segue em um ciclo de resiliência e adaptação. A pesquisa da UFMS e os esforços das autoridades ambientais são fundamentais para garantir a preservação desse ecossistema único, equilibrando a presença do fogo como parte do bioma sem permitir que ele se torne um desastre ambiental.







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