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Palestrante apresenta plataforma de geotecnologia como proposta para proteger fauna e motoristas nas estradas

por | set 19, 2025 | Fauna nas Estradas, NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

Promovido pelo Instituto Sustentar, em parceria com a Verdelho Comunicação, o webinário “Fauna nas Estradas: Risco de Vida para Animais e Pessoas” reuniu, nos dias 13, 14 e 15 de maio, alguns dos maiores especialistas do Brasil para discutir os impactos das rodovias sobre a fauna silvestre e propor formas de mitigação para esse grave problema.

Divulgação

O evento contou com o apoio das seguintes instituições: ICAS – Instituto de Conservação de Animais SilvestresUNEMAT – Universidade do Estado de Mato GrossoREET Brasil – Rede de Especialistas em Ecologia de TransportesInstituto SOS PantanalObservatório Rodovias Seguras para Todos e Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

A segunda palestrante no painel Impactos Irreversíveis foi Kalima Pitombeira, mestre e doutoranda em Ciências Geodésicas, com atuação voltada ao uso de geotecnologias para monitoramento ambiental. Ela apresentou a palestra intitulada “Plataforma integrada de gestão da fauna nas estradas”.

Abaixo, o resumo de sua palestra:

Dados geoespaciais e soluções de engenharia na proteção da fauna

Kalima Pitombeira – Mestre e doutoranda em Ciências Geodésicas

Engenheira cartógrafa, mestre e doutoranda em Ciências Geodésicas pela Universidade Federal do Paraná, Kalima Pitombeira atua na empresa Smart Sky no desenvolvimento de soluções geotecnológicas aplicadas à infraestrutura e ao meio ambiente. Em sua palestra, destacou a importância estratégica dos dados espaciais para a mitigação dos impactos ambientais das rodovias, em especial sobre a fauna silvestre e a segurança humana.

Segundo Kalima, estradas afetam diretamente os ecossistemas por meio da fragmentação de habitats, do atropelamento de animais e da poluição sonora e luminosa. A fragmentação, exemplificada pelo caso da BR-101 no Rio de Janeiro, comprometeu a diversidade genética do mico-leão-dourado ao separar grupos da espécie. O atropelamento, impacto mais imediato e visível, causa mortes de animais e riscos a motoristas, com consequências materiais, psicológicas e até fatais. Já a poluição altera padrões migratórios, alimentares e reprodutivos, favorecendo ainda a caça predatória.

Para enfrentar esses problemas, a palestrante defendeu o uso de medidas integradas de engenharia, sempre fundamentadas em dados geoespaciais de alta precisão. Citou como exemplos a implantação de passagens aéreas e subterrâneas de fauna, cercamentos que direcionam os animais, sinalização adequada, redutores de velocidade e sensores de presença. Reforçou que essas ações devem ser resultado de planejamento cuidadoso, considerando aspectos logísticos, ambientais e ecológicos do território.

Apresentou também uma arquitetura funcional para estruturação de uma plataforma integrada de gestão da fauna, que poderia unificar informações espaciais, ambientais e de infraestrutura. Essa ferramenta reúne dados de satélite, sensoriamento remoto, drones e escaneamento a laser, possibilitando a geração de ortofotos, nuvens de pontos tridimensionais e modelos digitais de terreno. Esses produtos cartográficos servem de base para modelagens precisas e apoiam decisões mais assertivas na implantação de medidas mitigatórias.

Kalima destacou ainda o uso do GeoBIM, metodologia que combina modelagem da informação da construção (BIM) com georreferenciamento espacial. Essa integração permite planejar passagens de fauna e outras obras com maior precisão, simular cenários e monitorar todas as fases de execução, garantindo alinhamento entre projeto e prática. Ressaltou também a relevância do mapeamento cadastral de rodovias, que identifica edificações próximas, cercas, drenagem, sinalização e demais elementos críticos.

Ao integrar registros ambientais – como pontos de atropelamento, rotas migratórias, áreas de reprodução e presença de espécies ameaçadas – à análise espacial, torna-se possível evitar habitats sensíveis em novas rodovias ou priorizar medidas mitigatórias em trechos existentes. Para Kalima, a centralização, integração e visualização desses dados ampliam a eficiência de gestores e tomadores de decisão, equilibrando custos econômicos e ambientais. Encerrando sua fala, reforçou que a tecnologia é um suporte essencial para conciliar desenvolvimento e conservação da biodiversidade.

Kalima Pitombeira – Mestre e doutoranda em Ciências Geodésicas em uso de geotecnologias para monitoramento ambiental

Para assistir à íntegra o segundo dia do webinário Fauna nas Estradas, clique aqui.

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