Empreendedora transforma o porta-malas em vitrine do autoconhecimento feminino e gera renda extra com acolhimento e papo reto
Adriana Gutierrez Vieira, de 43 anos, encontrou no volante mais do que uma forma de ganhar a vida: encontrou espaço para um novo negócio — e uma causa.
Moradora de Campo Grande, Adriana começou a dirigir para apps em fevereiro, com uma proposta diferenciada: atender exclusivamente o público feminino. Mas o diferencial não para aí. No porta-malas do carro dela, tem mais do que malas de viagem: tem uma loja inteira de produtos sensuais, cuidadosamente organizada para ser discreta, prática e — acima de tudo — acolhedora.
“Eu comecei vendendo para amigas próximas, em janeiro deste ano. No mês seguinte, entrei para o Uber e trouxe a mala junto”, conta Adriana.
O “sex shop sobre rodas” é sinalizado com uma plaquinha simples no banco do passageiro, que desperta a curiosidade das passageiras. Daí pra frente, é só deixar o papo fluir.
“Quando a mulherada vê e gosta do assunto, já puxamos papo e eu apresento as novidades. Algumas querem ver ali mesmo, no fim da corrida. Outras marcam horário para conhecer com calma e eu até levo até elas”.
Produtos que cabem na bolsa — e no dia a dia
Com preços que vão de R$ 15 a R$ 150, Adriana vende desde géis com efeitos variados até vibradores, sugadores e itens voltados ao prazer e conforto feminino. Tudo com descrição e empatia.
“Tem de tudo um pouco. E eu escolhi os mais discretos também”, destaca.
Além de vender, ela também escuta. Sabe que muitas mulheres ainda sentem receio de explorar sua sexualidade, e faz disso uma missão.
“Ainda existe muito receio. Tem mulher que não compra porque tem medo do que o marido vai pensar. Eu achei que seriam mais abertas”, observa.
Mas ela segue, corrida após corrida, quebrando tabus com leveza e informação.
Autoconhecimento é saúde
Mais do que vender produtos, Adriana entrega algo que não tem preço: confiança. E com isso, planta sementes de liberdade por onde passa.
“A mulher tem que se conhecer. O prazer vai além do orgasmo. Ele melhora a saúde, o humor, o sono. É questão de bem-estar”, conclui.
Na correria da cidade, tem uma motorista que dirige rumo à liberdade feminina — uma corrida de cada vez.







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