Viajar virou necessidade: brasileiros enxergam turismo como investimento em saúde mental e bem-estar
O que antes era visto como luxo ou privilégio, hoje ocupa espaço no orçamento como prioridade: a viagem deixou de ser supérflua e passou a ser sinônimo de bem-estar, saúde mental e equilíbrio emocional para o brasileiro moderno.
De acordo com dados do Ministério do Turismo, o setor movimentou R$ 230 bilhões em 2024, um reflexo direto da mudança de mentalidade da população. Uma pesquisa recente da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) apontou que 68% dos brasileiros já consideram a viagem parte essencial de uma vida mais plena.
Além de descanso, as viagens são encaradas como uma forma de reconexão interior e social. “O acesso à viagem como bem de consumo trouxe para o mercado a necessidade de viajar para ver se o que falam é verdade sobre o lugar, nem que seja para discordar”, afirma Erik Cabral, CEO da agência Viagem com Estilo.
A psicóloga Amanda Carvalhal reforça: “Viajar proporciona novas perspectivas. Ao se afastar da rotina, você alivia o estresse e melhora até a memória — tão impactada pelo excesso de informação dos tempos modernos.”
Essa tendência não é isolada. Só no primeiro semestre de 2025, mais de 5,3 milhões de turistas internacionais visitaram o Brasil, sinalizando o peso do turismo no bem-estar coletivo e individual em escala global.
As agências de viagem, atentas a essa transformação, também se adaptaram: 73% já oferecem parcelamentos em até 24 vezes e pagamentos por boleto bancário, o que amplia o acesso e democratiza o sonho de viajar. “Nosso carro-chefe hoje é o planejamento de longo prazo e os grupos de viagem”, completa Cabral.
O desejo de socialização e pertencimento também impulsiona o crescimento dos grupos de viagem. Segundo a Booking.com, 42% dos brasileiros que antes viajavam sozinhos agora preferem viajar em grupo, buscando segurança, troca e companhia.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que 54% das famílias já tratam as viagens como item essencial no orçamento, ao lado da saúde e da educação. “A viagem deixou de ser um supérfluo e está sendo vista como necessidade básica”, conclui Cabral.
O futuro também é promissor. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) prevê um crescimento de 8,5% no setor em 2025, impulsionado por essa nova forma de encarar a viagem: não como luxo, mas como investimento no viver bem.







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