Dançar pode ser mais eficaz que antidepressivos no combate à depressão leve e moderada, aponta estudo de 2024
Uma grande meta-análise publicada em 2024 pelo The BMJ reacendeu o debate global sobre tratamentos não farmacológicos para depressão. O estudo, que avaliou dezenas de pesquisas internacionais, concluiu que a dança pode apresentar efeitos terapêuticos superiores aos antidepressivos tradicionais em casos leves a moderados, sem gerar os efeitos colaterais comuns das medicações.
Além de movimentar o corpo, a dança ativa processos emocionais e sociais que, segundo especialistas, podem transformar a forma como a saúde mental é tratada.
O que torna a dança tão poderosa?
Os pesquisadores destacam que a prática reúne, simultaneamente, movimento físico, expressão emocional, conexão social e elementos de atenção plena (mindfulness). Esse conjunto, raramente encontrado em uma única intervenção terapêutica, cria um impacto profundo no bem-estar.
Veja os principais mecanismos identificados:
1) Liberação neuroquímica
A dança estimula endorfina, dopamina e serotonina — neurotransmissores diretamente ligados ao humor, motivação e redução do estresse.
2) Mindfulness e integração corpo-mente
A prática exige presença e consciência do movimento, ajudando a interromper ciclos de ruminação mental e sintomas ansiosos.
3) Expressão emocional segura
Por ser uma linguagem não-verbal, permite liberar emoções reprimidas e acessar conteúdos difíceis de expressar em palavras.
4) Conexão social
A maioria das modalidades envolve interação em grupo, fortalecendo vínculos, diminuindo a solidão e ampliando o senso de comunidade — fatores protetivos essenciais contra depressão.
5) Benefícios físicos cumulativos
Além do impacto psicológico, a dança melhora a saúde cardiovascular, autoestima, função cognitiva e vitalidade geral.
6) Sem efeitos colaterais
Diferentemente de antidepressivos, que podem causar insônia, ganho de peso ou náuseas, a dança oferece benefícios naturais e progressivos.
E no Brasil?
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que 11,3% dos brasileiros já receberam diagnóstico de depressão. A crescente busca por abordagens integrativas — como dança, exercícios e práticas mente-corpo — tem expandido a oferta dessas estratégias no SUS, especialmente em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e programas municipais de atividade física.
Profissionais de saúde destacam que a dança não substitui, necessariamente, tratamentos médicos em casos moderados a graves, mas pode ser usada como estratégia complementar ou preventiva, ampliando o leque terapêutico com evidências robustas.
A tendência, segundo especialistas, é que programas públicos e privados incorporem cada vez mais práticas como dança-terapia, aulas inclusivas de movimento e intervenções comunitárias.
Referências:
The BMJ (2024) – Meta-analysis on dance therapy for depression
Ministério da Saúde – Vigitel Brasil, 2023







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