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Ministério da Justiça aciona PF para investigar se bebidas com metanol circulam em outros estados

por | set 30, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 0 Comentários

O envenenamento que já causou pelo menos três mortes e deixou vítimas com sequelas graves em São Paulo levou o Ministério da Justiça a solicitar a abertura de inquérito na esfera federal. A investigação da PF foca na rede de distribuição do metanol, suspeitando que ela transcenda as fronteiras do estado.

A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar a rede de distribuição de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol, em meio à crescente onda de intoxicações registrada no estado de São Paulo. A decisão foi confirmada pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (30), destacando que a natureza do problema indica uma possível distribuição interestadual, o que atrai a competência federal.

Desde agosto de 2025, foram confirmados 22 casos de intoxicação pela substância tóxica em São Paulo, sendo 10 deles apenas no mês de setembro. Oficialmente, foram registradas pelo menos três mortes e uma vítima perdeu a visão após consumir a bebida adulterada em bares e restaurantes da capital e do interior. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o aumento como “situação anormal”, visto que o número de casos registrados em poucas semanas é quase o total da média anual do país.

Investigação e Crime Organizado

Um ponto de atenção para as autoridades é o perfil das vítimas recentes. Segundo Lewandowski, diferentemente do padrão anterior, em que o consumo de metanol atingia majoritariamente a população em situação de rua, os novos casos foram identificados entre clientes de bares e restaurantes, indicando uma adulteração criminosa mais ampla e perigosa em destilados como gim e uísque.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou que o inquérito irá apurar uma possível conexão da adulteração com o crime organizado, citando investigações anteriores sobre a cadeia de combustível e a importação de metanol pelo Porto de Paranaguá. Além disso, equipes já avaliam a possibilidade de que bebidas contaminadas tenham chegado a outros estados por meio de redes clandestinas de distribuição, o que amplia a gravidade do caso. O trabalho deve envolver cooperação entre superintendências regionais da PF e vigilâncias sanitárias estaduais.

No entanto, o Governo de São Paulo, por meio do Governador Tarcísio de Freitas, descartou a participação de facções como o PCC nas falsificações em coletiva separada, indicando que as apurações estaduais focam em destilarias clandestinas.

Ações emergenciais

Em resposta à crise, os estabelecimentos onde se identificou a presença de bebidas contaminadas irão receber notificações com o objetivo de rastrear os fornecedores, identificar quem manipulou as bebidas e determinar exatamente quais produtos foram consumidos pelas vítimas. O Ministério da Saúde, por sua vez, emitiu nota técnica para orientar profissionais de saúde sobre a identificação dos sintomas e a administração do antídoto – um tipo de etanol em concentração específica – nos centros de referência. A ordem é que todo novo caso suspeito seja notificado imediatamente às autoridades federais.

Sintomas e alerta médico

Os sintomas geralmente demoram entre 6 a 24 horas para se manifestar e, por vezes, são confundidos com uma ressaca grave. Entre os sinais estão dor abdominal intensa, náuseas, vômitos, tontura, confusão mental e visão turva. Nos casos graves, pode ocorrer cegueira, convulsões, coma e até óbito.

As autoridades de saúde reforçam que, ao perceber qualquer um desses sintomas após a ingestão de bebida alcoólica, o paciente deve buscar atendimento médico imediato para iniciar o tratamento com o antídoto e evitar o agravamento do quadro.

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