Pesquisas recentes vêm desmistificando a ideia de que refrigerantes “zero açúcar” são inofensivos.
Embora essas bebidas não contenham sacarose ou calorias, estudos apontam que o ácido fosfórico, presente na maioria das versões “zero”, pode interferir em mecanismos essenciais do metabolismo, impactando a vitamina D, a sensibilidade à insulina e até a vontade de comer doces.
O mito do “zero” saudável
O termo “zero açúcar” costuma trazer uma sensação de segurança nutricional. Porém, especialistas alertam que o rótulo não conta toda a história.
O ácido fosfórico — usado para acentuar o sabor e conservar o produto — tem efeitos que vão além do paladar.
Segundo revisões publicadas em periódicos como Nutrition Reviews e The American Journal of Clinical Nutrition, o consumo frequente dessa substância pode desregular o metabolismo mineral e prejudicar a ativação da vitamina D no organismo.
O papel do ácido fosfórico no metabolismo
Em condições normais, o corpo mantém um equilíbrio delicado entre cálcio, fósforo e vitamina D.
Quando há excesso de fósforo — como ocorre com o consumo regular de bebidas que contêm ácido fosfórico — o organismo aumenta a produção de hormônios reguladores, como o FGF23 e o PTH.
Esses hormônios reduzem a ativação da forma ativa da vitamina D (1,25-(OH)₂D), o que dificulta a absorção de cálcio e pode comprometer a saúde óssea.
Estudos observacionais também reforçam esse risco. Em pesquisas populacionais, consumidores frequentes de refrigerantes tipo “cola” apresentaram menores níveis de vitamina D e densidade mineral óssea reduzida, especialmente em mulheres após os 40 anos.
O efeito metabólico e o desejo por doces
Mesmo sem açúcar, o refrigerante “zero” pode desencadear respostas metabólicas sutis.
Pesquisas apontam que o fósforo pode influenciar a liberação de insulina e alterar a forma como o corpo regula a glicose no sangue.
Além disso, o sabor doce artificial ativa as mesmas áreas cerebrais relacionadas ao prazer e à recompensa — o que, paradoxalmente, pode aumentar a vontade de comer doces de verdade logo depois do consumo.
Ainda que esses efeitos variem de pessoa para pessoa, especialistas alertam que o hábito frequente de consumir bebidas artificiais confunde os mecanismos naturais de fome e saciedade, contribuindo para desequilíbrios hormonais e metabólicos.
O alerta dos especialistas
Para a nutricionista funcional Dra. Marina Lopes, é um erro acreditar que “zero açúcar” significa ausência de impacto.
“O ácido fosfórico altera o equilíbrio mineral e, indiretamente, pode prejudicar a absorção de vitamina D. A longo prazo, isso afeta não só os ossos, mas também o metabolismo como um todo”, explica.
A profissional reforça que o consumo deve ser esporádico e que a hidratação ideal continua sendo feita com água, chás naturais e bebidas não industrializadas.
Alternativas mais seguras
Quem busca refrescância sem comprometer a saúde tem opções naturais e acessíveis:
- Água com gás e limão – hidrata e substitui a sensação de refrigerante;
- Chás gelados sem adoçante – refrescantes e antioxidantes;
- Kombucha natural – rica em probióticos e sem impacto no metabolismo mineral.
Essas alternativas mantêm o sabor e ajudam o corpo a funcionar de forma equilibrada, sem interferir na absorção de nutrientes essenciais.
Conclusão: “O zero que não é zero”
Mesmo sem açúcar, o refrigerante “zero” pode não ser tão inocente quanto parece.
Os estudos indicam que o problema não está apenas nas calorias, mas em como os ingredientes químicos interagem com o metabolismo — especialmente o ácido fosfórico, que pode afetar a vitamina D, o cálcio e a insulina.
A mensagem final é clara: nem tudo que é “zero” é saudável.
A melhor escolha ainda é a mais simples — água, luz solar e moderação.
Fontes consultadas:
- The American Journal of Clinical Nutrition
- Nutrition Reviews
- Journal of Bone and Mineral Research
- ScienceDirect – Soda consumption and risk of hip fractures
- PubMed Central – Effects of Soft Drink Consumption on Nutrition and Health







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