Atropelamento de uma anta seguido de colisão causa a morte do passageiro do veículo, do animal silvestre e deixa dois feridos
Um atropelamento de animal silvestre, seguido de colisão entre veículos, provocou uma tragédia na BR-262, na madrugada desta segunda-feira (5), entre os municípios de Ribas do Rio Pardo e Campo Grande. O acidente deixou um homem morto, dois feridos e uma anta morta, reforçando o alerta sobre os riscos da falta de infraestrutura preventiva em rodovias que cruzam áreas de alta presença de fauna nativa.
Como foi o acidente
De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal, por volta das 5h, uma caminhonete trafegava pela rodovia quando atropelou uma anta que atravessava a pista. O impacto fez o motorista perder o controle da direção. Sem qualquer barreira física ou área de escape, o veículo invadiu a pista contrária e colidiu de frente com uma carreta bitrem carregada de madeira.
A vítima fatal foi identificada como Orival Salvador Pereira, de 29 anos, passageiro da caminhonete e funcionário de uma empresa de reflorestamento. Ele foi arremessado para fora do veículo e morreu ainda no local. O motorista da Hilux e o caminhoneiro sofreram ferimentos leves e foram levados ao hospital. A anta morreu no momento do atropelamento e foi encontrada caída às margens da rodovia.
Estrada sem proteção para fauna
Esse tipo de ocorrência é mais comum do que se imagina. A BR-262 atravessa áreas de vegetação nativa e de intensa circulação de fauna silvestre, mas segue sem cercas de contenção, passagens de fauna subterrâneas ou sinalização adequada para alertar motoristas sobre o risco de atropelamentos — especialmente de espécies de grande porte, como a anta.
Dados preocupantes
Levantamentos do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e da Embrapa indicam que, apenas em Mato Grosso do Sul, foram registrados mais de mil atropelamentos de animais silvestres entre 2020 e 2024, muitos deles com consequências fatais também para motoristas e passageiros.
Especialistas criticam falta de prevenção
Para especialistas em conservação e segurança viária, tragédias como essa são resultado direto da ausência de políticas públicas efetivas de prevenção. A presença de animais nas pistas é esperada em trechos de mata e deveria ser considerada nos projetos rodoviários desde a sua concepção.
“O que vemos aqui não é um caso isolado. É a consequência de anos de omissão. O atropelamento do animal foi o gatilho do acidente, mas o verdadeiro problema está na falta de estrutura para impedir que isso ocorra”, afirma um biólogo ligado à Rede Nacional de Ecologia de Estrada.







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