A presença feminina nos altos escalões do mundo corporativo tem ganhado espaço e força no Brasil. Mesmo ainda longe da paridade ideal, a conquista de cargos estratégicos por mulheres representa um movimento que está reformulando a dinâmica das empresas e mostrando que equidade de gênero não é apenas uma pauta social, mas também uma poderosa alavanca de inovação, criatividade e resultados financeiros.
Dados recentes e iniciativas de grandes empresas apontam para um avanço real e concreto. O Grupo Boticário, por exemplo, já conta com 56% de mulheres em cargos de liderança, enquanto a Natura atingiu a paridade na América Latina com 50,5% em posições de diretoria e vice-presidência. A Microsoft Brasil também se destaca: mais de 70% do seu time executivo é composto por mulheres, mesmo em um setor tradicionalmente masculino como o da tecnologia.
“É comprovado que ambientes diversos geram melhores decisões e desempenhos mais sólidos. A mulher traz perspectivas complementares e essenciais, inclusive no topo da hierarquia”, comenta Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil e Cone Sul. A companhia não apenas promove mulheres internamente, como também apoia milhares de empreendedoras por meio do programa “Coca-Cola dá um gás no seu negócio”.
A SulAmérica, por sua vez, destinou 66,9% das promoções de 2024 às mulheres. Para Raquel Reis, CEO da empresa, o segredo está em criar condições reais de crescimento. “Não se trata apenas de ocupar cargos de liderança, mas de garantir liberdade de escolha, sem barreiras visíveis ou invisíveis que limitem o desenvolvimento profissional das mulheres”, afirma.
As chamadas “barreiras invisíveis” – como estereótipos, discriminação, falta de representatividade e desigualdade salarial – ainda são obstáculos. Porém, empresas estão cada vez mais conscientes de que promover a diversidade exige políticas concretas, programas de capacitação, metas de representatividade e ambiente seguro e acolhedor.
A transformação também chegou aos conselhos de administração. A Natura, Microsoft, Grupo Boticário e Boa Safra já contam com mulheres em assentos estratégicos, trazendo para o centro da tomada de decisão uma pluralidade de experiências que favorece a inovação e o equilíbrio.
Programas como o Conselheira 101, que capacita mulheres negras e indígenas para atuação em conselhos, vêm criando oportunidades históricas. Desde sua criação, em 2020, já formou 150 mulheres, das quais 42% ocupam cargos em conselhos atualmente.
A médica baiana Clarissa Mathias, primeira brasileira no conselho da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), acredita que essa transformação é também cultural. “Levar a visão feminina para dentro da governança corporativa traz um olhar mais humano e estratégico ao mesmo tempo. Isso beneficia não só os negócios, mas também as pessoas que eles impactam.”
Com protagonismo crescente e resultados concretos, a liderança feminina no Brasil mostra que a diversidade não é apenas tendência: é a chave para um futuro mais justo, eficiente e representativo.







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