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Juliana, desculpa. E obrigada por tudo que você foi. Não foi culpa sua. Nunca foi.

por | jun 24, 2025 | NOTÍCIAS, SLIDER | 3 Comentários

Juliana, desculpa pela demora.
Pelo tempo que levou para encontrarem você, pelo silêncio onde deveria haver urgência, pelo cuidado que não chegou a tempo.

Desculpa por cada hora de angústia. Por cada gesto que faltou. Por cada estrutura que não estava ali para proteger você, uma jovem que só queria fazer o que amava: viver.

Você estava ali porque amava se lançar ao desconhecido. Porque acreditava que há beleza naquilo que a maioria teme. Era isso o que você buscava — vida, paisagens que tiram o fôlego, histórias que poucos teriam coragem de contar.

E, mesmo com o coração apertado, é impossível não te agradecer. Obrigada por ter feito tanto em tão pouco tempo. Obrigada por nos lembrar da coragem de sair de casa com uma mochila e o coração aberto. Obrigada por mostrar que viver intensamente é também um ato político — um grito de liberdade.

Mas a verdade, Juliana, é que não deveria ter terminado assim. Aventura não deveria rimar com negligência. O desconhecido pode ser desafiador, mas não pode ser sinônimo de abandono.

O Monte Rinjani não te merecia daquela forma. Nem você, nem ninguém. O mínimo que um destino turístico precisa oferecer é segurança, é socorro rápido, é dignidade.
E não dá para fingir que a resposta teria sido a mesma se você fosse uma turista de outro país, com outro sobrenome, outra conta bancária.

Enquanto muita gente questionava se era “loucura” se enfiar em lugares tão distantes, nós sabíamos: a verdadeira loucura é não viver. E era isso que você estava fazendo. Vivendo.

Não foi culpa sua. Nunca foi.
E que fique claro: ninguém que ama a vida deveria ser culpado por ter confiado que o mundo a acolheria com a mesma intensidade que ela entregava.

Hoje, entre o luto e a revolta, fica também a gratidão. Pela sua luz. Pela sua coragem. Pelo exemplo.
Você fez o que muitos de nós apenas sonhamos. Você foi. Você foi linda. Você foi inteira.


Sinto muito, Juliana. Obrigado por ter existido com tanta intensidade. Que sua jornada inspire proteger cada vida que ousa se lançar ao desconhecido. Meus sentimentos eternos à sua família, sua irmã Mariana, aos amigos, aos que acompanharam, torceram, clamaram, sonharam por um final diferente. Que a memória da sua luz desperte em nós a compaixão, a exigência de cuidado e o compromisso com a vida — acima de tudo.

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3 Comentários

  1. Mari Alves

    Sensacional!!!

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    • Renata Maioli

      Sem palavras!! Uma guerreira!

      Responder
  2. Thais Romero

    linda matéria referente a uma perda precoce. Parabéns.

    Responder

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