Frio impulsiona vendas de legumes em até 30% na Ceasa/MS, enquanto frutas como melancia despencam até 70%
Com a chegada do frio em Mato Grosso do Sul, a CEASA/MS (Centrais de Abastecimento de MS) registra forte incremento na procura por hortaliças típicas para sopas e caldos, com aumento de até 30% nas vendas de abóbora, batata, cenoura e variedades de alho e cebola, segundo dados divulgados pelo órgão. O diretor de Abastecimento e Mercado, Fernando Begena, ressalta que esses produtos são essenciais para refeições mais “pesadas” consumidas no inverno.
Edson Carlos, vendedor da JS Saraíva — uma das empresas atuantes no polo — aponta que produtos como moranga, abóbora cabotiá e alho têm sido destaque na preferência dos clientes, que buscam pratos mais quentes e encorpados durante os dias frios
Queda de até 70% nas vendas de melancia
Em contrapartida, o consumo de frutas mais refrescantes cai drasticamente no inverno. A melancia lidera essa retração, com as vendas reduzindo em até 70% e o quilo do produto sendo ofertado por cerca de R$ 1,50 na CEASA/MS, segundo Ruan Carlos Souza, da WR Hortifruti, no pavilhão da Coop-Grande. Para estimular as vendas, os preços foram ajustados para níveis promocionais.
Oscilações de preços no atacado
Além das oscilações de demanda, as cotações de itens como cebola, cenoura e pimentão registram variações. Na última semana de junho, a cebola caiu para R$ 50 o saco de 20 kg (‑9%), cenoura por R$ 45 (saco de 20 kg) e pimentão verde por R$ 55 (caixa de 10–12 kg)
Já entre as frutas, o frio pressiona os preços por conta de menor oferta e logística mais complexa. O mamão Havaí teve reajuste de até 11% (de R$ 90 para R$ 100 a caixa de 10 kg). A banana nanica também ficou mais cara (cerca de R$ 80 a caixa de 20 kg) e o pepino — embora seja hortaliça — também subiu para cerca de R$ 80 a caixa de 23 kg.
Frutas típicas de inverno se tornam mais acessíveis
Apesar do cenário geral de retração, frutas como banana, uva e morango experimentam queda de preço no Ceasa/MS nesta estação. A banana está sendo vendida por aproximadamente R$ 3/kg (contra cerca de R$ 5/kg em outras épocas). O morango, que estava em R$ 13/bandeja, já caiu para R$ 10 e deve estabilizar em torno de R$ 8,50 em meados de julho. As uvas, por sua vez, também despencam de R$ 14 para cerca de R$ 8–9/kg
Nutricionista defende equilíbrio alimentar permanente
A nutricionista Beatriz Camargo reforça que o consumo de frutas não deve ser negligenciado no frio, considerando os benefícios para o sistema imunológico. Ela aponta soluções criativas, como incluir frutas em chás, sobremesas quentes ou banana aquecida com canela e mel, para estimular o consumo mesmo em dias gelados
Panorama geral e impacto no mercado
| Segmento | Tendência | Motivo |
|---|---|---|
| Legumes | Alta | Demanda por pratos quentes e consoante padrão sazonal de consumo. |
| Frutas refrescantes | Queda | Preferência por alimentos reconfortantes em dias frios. |
| Frutas de inverno | Baixa | Oferta e promoção favorecem consumo, mas ainda inferior ao verão. |
O panorama revela uma adaptação rápida por parte dos atacadistas e produtores da CEASA/MS, ajustando preços conforme a demanda sazonal. Além disso, destaca-se a preocupação com a qualidade, apesar dos desafios climáticos, especialmente para frutas mais sensíveis.
O inverno em Mato Grosso do Sul provoca uma mudança clara nos hábitos de consumo da população, movimentando o mercado atacadista de hortifrutis. A alta na busca por alimentos quentes e o ajuste de preços refletem um setor atento à sazonalidade climática — conciliando acesso a produtos, qualidade e valorização das cadeias produtivas regionais.







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