Controlado pela Prosus, o iFood vem apostando em um movimento estratégico para não ser reconhecido apenas como o “app de comida” no Brasil. A companhia tem investido pesado na criação de verticais que complementam o negócio principal de delivery, como o iFood Benefícios — voltado para vales alimentação e refeição — e o iFood Pago, sua fintech, que deve movimentar mais de R$ 3 bilhões neste ano.
Apesar dos avanços, escalar no setor de benefícios não tem sido simples. O domínio de Alelo, Ticket e Pluxee segue forte, e o iFood ainda enfrenta processos na Justiça envolvendo o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A compra da Alelo chegou a ser discutida por cerca de R$ 5 bilhões, mas as negociações esfriaram.
Enquanto isso, o cenário competitivo no delivery ficou mais acirrado. A Didi (99 Food) e a chinesa Meituan (Keeta) prometem investir bilhões no Brasil, e a Rappi ganhou reforço da Amazon com US$ 25 milhões. O iFood, que possui 83% do mercado com 60 milhões de clientes e 120 milhões de pedidos mensais, já não pode contar com contratos de exclusividade ilimitados após acordo com o Cade.
Mesmo diante das mudanças, o CEO Diego Barreto afirma não temer a concorrência. “Quem vai vencer esse jogo? Quem for bom”, disse em entrevista. O executivo reforça a estratégia de construir diferenciais de longo prazo e novos produtos, como o Turbo (entregas ultrarrápidas) e o Hits (ofertas-relâmpago de restaurantes), já em expansão para dezenas de cidades.
O iFood também costura alianças estratégicas. Uma parceria inédita com a Uber permitirá que usuários façam pedidos de comida no app de corridas e solicitem viagens dentro do aplicativo de delivery. A aposta é complementar bases de clientes que se sobrepõem em apenas 30%.
No total, a empresa planeja investir R$ 17 bilhões no Brasil, incluindo R$ 3 bilhões na expansão de sua fintech, R$ 1 bilhão em infraestrutura e inteligência artificial, além do reforço em novas linhas de negócio.
O mercado, segundo especialistas, vive um novo ciclo de competitividade, com benefícios diretos para restaurantes, entregadores e consumidores. “Há espaço para todos crescerem”, diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.







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