O celular mais caro vendido hoje no Brasil não leva o logo da Apple nem da Samsung. Desde junho, a chinesa Huawei voltou ao mercado nacional com os modelos Mate X6 e Mate XT — e ambos chegaram para ocupar um nicho de luxo, sem concorrentes diretos.
O Mate X6 custa R$ 22 mil, cerca de 40% a mais que o iPhone 16 Pro Max de 1TB (R$ 15,5 mil). Já o Mate XT ultrapassa qualquer comparação: R$ 33 mil, mais que o dobro do iPhone topo de linha.
A estratégia é clara: se anos atrás as marcas chinesas buscavam brigar pelo consumidor de entrada, hoje querem se posicionar como objetos de desejo.
Celulares expansíveis
A assinatura da Huawei são os aparelhos dobráveis.
- O Mate X6 vem com três telas — uma externa e duas internas, que se abrem como um livro para formar um display ampliado.
- O Mate XT vai além: também traz três telas, mas ao desdobrar todas, vira um telão de 10,2 polegadas, um híbrido entre smartphone e tablet.
Movimento chinês além da Huawei
O fenômeno não é isolado. Assim como as montadoras chinesas que transformaram SUVs híbridos em itens de status, outras marcas de tecnologia seguem a mesma trilha.
- A Jovi (nome adotado pela Vivo no Brasil) desembarcou com celulares premium montados em Manaus, apostando em câmeras com lentes Zeiss e bateria superdimensionada.
- A Oppo, que já produz localmente, conquistou espaço com modelos intermediários que trazem IA do Google embarcada.
Mercado em expansão
De acordo com a NielsenIQ, as marcas chinesas já respondem por 21% do faturamento de eletroeletrônicos no Brasil, contra 16% em 2019. No mercado global, a curva também é de crescimento contínuo.
O Brasil, com 138 milhões de usuários de smartphones e previsão de chegar a 178 milhões até 2029, virou alvo prioritário. Mas conquistar espaço de Samsung, Apple e Motorola — que juntas dominam 80% do mercado — será um desafio de longo prazo.







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