A manhã desta quinta-feira (01) nasceu diferente em Campo Grande. O que seria mais um dia comum na capital sul-mato-grossense se transformou em um momento de fé, emoção e coragem. Às 7h20, após a celebração da Santa Missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, um grupo de 21 fiéis iniciou a 2ª edição da Rota da Fé MS, uma peregrinação de 140 quilômetros com destino final na cidade de Bandeirantes.
Durante quatro dias, o grupo passará por Jaraguari e Rochedinho, enfrentando o calor, o cansaço e os desafios físicos e espirituais de uma verdadeira jornada de fé. Este ano, além dos ciclistas, muitos optaram por percorrer o trajeto a pé, como o trabalhador rural Rildo Theodoro, de 57 anos, que revive a tradição passada por sua mãe e avó.
“Quanto maior o desafio, maior a bênção”, resume Rildo, com brilho nos olhos e fé no coração.
A data da peregrinação foi escolhida em homenagem ao mês de Maria, período dedicado à Virgem Santíssima pela Igreja Católica. As estradas vicinais da rota foram sinalizadas com cuidado, refletindo o zelo da organização para garantir a segurança e bem-estar dos peregrinos. Ao longo do caminho, pontos de apoio oferecem não só descanso, mas também momentos de oração, acolhimento e cuidado humanizado.
O comerciante Marinho Serpa, de 52 anos, saiu de Bandeirantes rumo a Campo Grande apenas para participar da jornada. “O que nos move é a fé. A gente vai rezando o tempo todo. É oração em movimento”, declara, emocionado.
Já o casal Paulo César e Renata Raro abraçou o desafio com força e coragem. Por dois meses se prepararam fisicamente e espiritualmente, sonhando com futuras caminhadas até Aparecida. “A espera por esse momento valeu cada segundo. Estamos prontos para essa missão”, afirmam.
Durante a caminhada, nossa equipe conversou com um dos peregrinos, que preferiu não se identificar. Sentado à sombra em um dos pontos de apoio, com o terço entre os dedos e a camiseta suada pelo esforço, ele nos ofereceu um testemunho que traduz a essência da peregrinação:
“Não é o chão duro que me cansa, nem o sol quente que me faz parar…
O que me move é a fé, é a certeza de que a cada passo Deus anda comigo.
Quando as forças faltam, a oração me levanta.
E se eu cair, sei que não estou só.
Caminhar é rezar com os pés.
Essa rota é desafio, mas também é bênção.
E eu sigo, porque acredito.”
O diácono José Amancio, um dos organizadores, reforça que o objetivo maior é a evangelização. “A Rota da Fé é um sinal da nossa devoção. Rezamos durante todo o percurso e esperamos que outras paróquias também participem nos próximos anos. Tudo foi preparado com carinho”, explicou.
Em cada passo, pedal ou lágrima, está a motivação que vem da fé, o amor que sustenta o caminho, e a certeza de que nenhum esforço é em vão quando se caminha com Deus.







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