Promovido pelo Instituto Sustentar, em parceria com a Verdelho Comunicação, o webinário “Fauna nas Estradas: Risco de Vida para Animais e Pessoas” reuniu, nos dias 13, 14 e 15 de maio, alguns dos maiores especialistas do Brasil para discutir os impactos das rodovias sobre a fauna silvestre e propor formas de mitigação para esse grave problema.

O evento contou com o apoio das seguintes instituições: ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres, UNEMAT – Universidade do Estado de Mato Grosso, REET Brasil – Rede de Especialistas em Ecologia de Transportes, Instituto SOS Pantanal, Observatório Rodovias Seguras para Todos e Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
No painel “Conclusões e Propostas”, que integra a programação final do webinário, Isabella Ribeiro Carlos Andrade, bióloga e mestranda em Ciências Ambientais pela UNEMAT, apresentou o relato de caso “Efeitos do fogo e da seca nos atropelamentos de fauna no Pantanal Mato-Grossense”. Na exposição, Isa Ribeiro discutiu como eventos extremos, como queimadas e longos períodos de estiagem, influenciam diretamente o aumento de atropelamentos de animais, destacando evidências coletadas em áreas afetadas no Pantanal e a necessidade de medidas de mitigação baseadas em monitoramento contínuo e gestão integrada da paisagem.
Abaixo, o resumo de sua palestra:
RELATO DE CASO: Efeitos do fogo e da seca nos atropelamentos de fauna no Pantanal Mato-Grossense

A palestra de Isabella Ribeiro Carlos Andrade abordou os desafios e aprendizados de sua pesquisa de mestrado, pela Universidade do Estado de Mato Grosso, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais – Laboratório de Mastozoologia, em uma análise voltada para ecologia de estradas e com resultados prévios de uma das áreas estudadas no extremo Norte do Pantanal Mato-Grossense, com foco específico no impacto de atropelamentos de fauna silvestre em uma região crítica do Pantanal Mato-Grossense. Representando a nova geração de pesquisadores com formação técnica sólida, Isabella destacou a importância de dar voz aos estudantes de graduação e pós-graduação que desejam atuar de maneira transformadora na conservação da biodiversidade.
Ela explicou que, apesar de se tratar de uma dissertação de mestrado, seu estudo conta com uma equipe multidisciplinar e parcerias que possibilitaram a realização de um monitoramento extenso: mais de 600 quilômetros de rodovias em outras regiões que abrangem a pesquisa também foram percorridos até o presente momento. O foco do relato de caso recaiu sobre um trecho de 49 quilômetros da BR-174, que conecta Cáceres a Horizonte do Oeste, passando pelo extremo norte do Pantanal. A escolha se deu por ser uma área crítica, próxima a lagoas e marcada por intenso tráfego de veículos.
Durante um único monitoramento em período de crise climática no segundo semestre de 2024, foram registrados mais de 45 animais atropelados, sendo a maioria capivaras e jacarés — espécies fortemente associadas a corpos d’água. Esse número expressivo coincidiu com um período de seca prolongada na região em 2024, que forçou os animais a buscarem novas fontes de água, aumentando sua presença nas proximidades das estradas. Isabella também citou o registro de aves como o cabeça-seca (Mycteria americana) e ninhal temporário na proximidade a rodovia, cuja presença foi identificada, embora não tenham sido registradas colisões com esses animais.
Ela ressaltou que esse curto trecho da rodovia concentra uma série de características ecológicas importantes, mas vulneráveis, pois a paisagem tem sido alterada por práticas humanas, como queimadas recorrentes (e não regimes naturais de fogo). Essas transformações afetam a disponibilidade de habitat e recursos, além de reduzir a visibilidade para motoristas e atrair espécies para áreas de risco, devido ao surgimento de brotos após os incêndios.
Diante dessas observações, ressurgiu uma das perguntas contínuas na ecologia de rodovias: quais são os efeitos do fogo nos atropelamentos de vertebrados silvestres? Isa enfatizou que essa relação ainda é pouco explorada no Brasil, visto as pesquisas recentes sido trabalhadas por Cecília Bueno e Luís Renato Rezende Bernardo representando uma lacuna importante na ciência ecológica. Ela pontuou a complexidade de se investigar, ao mesmo tempo, os efeitos do fogo e os múltiplos fatores que influenciam a mortalidade por atropelamento, reforçando a urgência de aprofundar esses estudos, sobretudo diante das mudanças climáticas que vêm agravando os eventos extremos, como secas e incêndios.
Isabella também comentou sobre o papel emergente das passagens de fauna. Segundo ela, estudos recentes de 2025 já apontam que essas estruturas, além de mitigarem os atropelamentos, também podem contribuir para a adaptação da fauna às mudanças climáticas, o que reforça sua importância estratégica para o futuro da conservação.
Ao final, ela reiterou a importância da colaboração entre pesquisadores, instituições e comunidades para avançar na mitigação desses impactos e promover maior visibilidade para o problema. Isabella agradeceu às parcerias, fontes de apoio e projetos de educação ambiental que fortalecem a base do seu trabalho e se colocou à disposição para perguntas.
Isabella Ribeiro Carlos Andrade– bióloga, mestranda em Ciências Ambientais – UNEMAT
Para assistir à íntegra o terceiro e último dia do webinário Fauna nas Estradas, clique aqui.







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