A repercussão da trágica morte da jornalista Vanessa Ricarte gerou mudanças na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande. As duas delegadas responsáveis pelo atendimento à jornalista antes do feminicídio pediram para deixar a unidade. Além delas, a titular da delegacia, Elaine Benicasa, colocou o cargo à disposição até a conclusão das investigações conduzidas na Casa da Mulher Brasileira.
A informação foi confirmada durante uma reunião na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (18). Segundo o deputado estadual Coronel David, o secretário da Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul), Carlos Videira, relatou o pedido de afastamento das delegadas à ministra da Mulher, Cida Gonçalves.
Entre os pontos mais polêmicos do caso, um áudio gravado pela própria Vanessa antes de sua morte aponta que uma das delegadas teria orientado a jornalista a entrar em contato com o próprio agressor para solicitar que ele deixasse sua casa. Sem acompanhamento policial, Vanessa retornou para casa apenas com um amigo e foi brutalmente assassinada a facadas por Caio Nascimento.
A delegada Elaine Benicasa afirmou em entrevista coletiva que a vítima teria recusado escolta policial, mas até o momento, não há documentos oficiais que comprovem detalhes do atendimento na delegacia. O Conselho de Ética da Adepol-MS segue sem se manifestar sobre possíveis falhas operacionais no caso.
O episódio reacendeu denúncias antigas sobre falhas no atendimento da Deam na Casa da Mulher Brasileira. Relatos de frieza, falta de acolhimento e até humilhação já haviam sido apontados por outras vítimas nos últimos anos.
Vanessa Ricarte, que completaria 43 anos no último domingo (16), foi lembrada por amigos e familiares como uma profissional brilhante e independente. Sua morte levanta questionamentos sobre a proteção oferecida às mulheres vítimas de violência e a necessidade urgente de revisão nos protocolos de atendimento da Deam.







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