A incrível jornada do imigrante doente que criou uma das maiores marcas de chocolate do Brasil
Doente, sem emprego, sem falar português — e ainda assim, determinado a reescrever seu destino. Esta é a história de Henrique Meyerfreund, o jovem alemão que desembarcou no Espírito Santo sem imaginar que seu nome entraria para a história da indústria alimentícia brasileira, dando origem a um dos maiores símbolos nacionais: a Garoto.
1921 – Um recomeço improvável
Aos 20 anos, Henrique chega ao Brasil para trabalhar como auxiliar de topógrafo. Mas o que seria um novo início se transforma rapidamente em tragédia. Ele contrai malária, perde tudo e acaba internado como indigente.
Depois de se recuperar, consegue emprego em uma torrefação de café. Foi ali, entre aroma de grãos e máquinas simples, que aprendeu os primeiros segredos da indústria alimentícia — e percebeu que queria empreender.
1928 – A primeira queda e a coragem de tentar de novo
Sua primeira fábrica de balas fracassa. Mas o jovem imigrante não desiste. Com mais foco e a teimosia típica dos visionários, ele abre uma nova empresa: H. Meyerfreund.
As balas eram vendidas por garotos em tabuleiros — e daí nascia o nome que marcaria gerações: Garoto.
Com o tempo, o negócio evoluiu para chocolates, e produtos icônicos surgiram, como a pastilha Extra Forte de Hortelã.
1938 – Crescimento e inovação
O sucesso atrai o alemão Günther Zenning, que entra como sócio trazendo capital e tecnologia. A Garoto começava a se transformar em potência industrial.
Mas novos ventos estavam por vir — e não eram bons.
Segunda Guerra Mundial – Prisão, intervenção e resiliência
Por ser alemão, Henrique é preso durante a guerra. A Garoto sofre intervenção federal.
Mesmo atrás das grades, ele continua orientando sua equipe, mantendo a fábrica viva.
Quando a guerra termina, Henrique reassume o comando e dá início a uma reconstrução praticamente do zero.
É neste período que surgem produtos que entrariam para a história nacional:
- Baton (originalmente “Leite-Mel”);
- Serenata de Amor;
- Os primeiros ovos de Páscoa de chocolate do Brasil;
- E a icônica caixa amarela de bombons, símbolo do país.
1962 – Tragédia e transição
O sócio Günther morre em um acidente aéreo.
Com a saúde fragilizada, Henrique passa o comando aos filhos Ferdinand e Helmut.
1971 – A morte do fundador e o início das disputas familiares
Após a morte de Henrique, a família mergulha em conflitos que se intensificam nas décadas seguintes.
Nos anos 1990, as brigas internas atingem o limite. A Garoto continuava crescendo, mas já não havia unidade entre os herdeiros.
Era o fim de uma era.
A venda para a Nestlé – O capítulo final
Com a situação insustentável, a empresa é vendida à suíça Nestlé.
O sonho que começou com um imigrante doente e sem recursos agora fazia parte de uma das maiores empresas de alimentos do mundo.
Legado
A história de Henrique Meyerfreund é uma lição sobre resiliência, visão e coragem.
A Garoto não nasceu pronta. Ela foi construída, dia após dia, por alguém que decidiu não desistir.
E você? Que sabor tira dessa história?







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