Um avanço promissor na área da neurociência promete mudar a forma como o Alzheimer é diagnosticado e tratado. Pesquisadores das universidades de Washington (EUA) e Lund (Suécia) anunciaram nesta semana um exame de sangue inédito que, além de detectar a doença, consegue determinar em qual estágio ela se encontra, com altíssimo grau de precisão.
A pesquisa, publicada na respeitada revista científica Nature Medicine, revelou que a análise de uma proteína específica no sangue, chamada MTBR-tau243, oferece uma visão clara dos danos cerebrais causados pelo Alzheimer. Esse marcador sanguíneo reflete a quantidade de “emaranhados de tau” — proteínas anormais que se acumulam e prejudicam o funcionamento cerebral, sendo um dos principais fatores da doença.
Durante os testes clínicos, amostras de 163 pacientes foram analisadas, divididas entre Estados Unidos e Suécia. O resultado impressionou: o exame identificou a doença com 92% de precisão. Pacientes em fases iniciais já apresentavam níveis elevados da proteína, enquanto casos avançados tinham concentrações até 200 vezes maiores que as de pessoas saudáveis.
O neurologista Randall Bateman, um dos responsáveis pelo estudo, destacou a importância desse avanço para a democratização do diagnóstico. “A tomografia por emissão de pósitrons (PET), utilizada atualmente, é cara e inacessível para grande parte da população. Um exame de sangue como esse pode transformar a prática clínica em escala mundial”, afirmou.
Outro destaque é a capacidade do teste de diferenciar o Alzheimer de outras formas de demência, como as causadas por doenças vasculares ou degeneração frontotemporal, algo que até então era um desafio no diagnóstico neurológico.
A descoberta também fortalece a medicina personalizada no combate ao Alzheimer. De acordo com o neurologista Kanta Horie, coautor do estudo, o exame permitirá que médicos ajustem tratamentos conforme o estágio da doença. Em fases iniciais, medicamentos que combatem as placas amiloides tendem a ser mais eficazes, enquanto nos casos avançados, o foco será em terapias voltadas à proteína tau.
O exame, agora licenciado pela empresa C2N Diagnostics, já está em fase de preparação para futura comercialização. Com os novos dados em mãos, especialistas acreditam que essa ferramenta será fundamental para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e possibilitar tratamentos mais direcionados — um passo essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.







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