Brasil enfrenta crise ambiental silenciosa: atropelamentos de animais silvestres nas rodovias atingem níveis alarmantes
O Brasil vive uma grave e silenciosa crise ambiental: os atropelamentos de animais silvestres nas estradas se intensificam a cada dia, ameaçando a biodiversidade de forma severa. Todos os dias, milhares de animais morrem em decorrência do tráfego intenso, da fragmentação de habitats e da expansão desordenada da malha viária.
BR-262 é retrato da tragédia
Entre Campo Grande e Três Lagoas (MS), um dos trechos mais críticos do país, a situação é alarmante. Apenas entre maio de 2023 e abril de 2024, cerca de 2.300 animais foram atropelados em apenas 350 km. Em 21 de julho de 2025, jornalistas flagraram 11 carcaças de animais no local — incluindo antas, tamanduás e até um lobo-guará, espécie ameaçada de extinção.
Para tentar conter o avanço desse cenário devastador, está em andamento um plano de R$ 32,2 milhões, que prevê a construção de passagens de fauna, cercas, viadutos e sinalizações específicas para reduzir os riscos.
Números preocupam também no DF e Entorno
O problema não é exclusivo do Mato Grosso do Sul. No Distrito Federal e Entorno, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 78 acidentes com animais entre 2022 e maio de 2025.
Um dos episódios mais impactantes aconteceu em 10 de julho de 2025, quando 14 capivaras foram atropeladas na QL 32, no Lago Sul — 12 morreram. Na semana anterior, uma jaguatirica morreu atropelada em Santa Maria, ampliando o alerta sobre o risco nas vias da região.
Entre os raros casos de esperança, destaca-se o resgate de um lobo-guará ferido, que recebeu tratamento e, após cinco meses de cuidados, foi devolvido à natureza.
Crise é nacional
Casos semelhantes ocorrem por todo o Brasil:
- Em 14 de julho, um cachorro-do-mato foi atropelado em Ouro Preto (MG);
- Em 30 de junho, uma onça-parda morreu atropelada em Votuporanga (SP);
- No início de junho, uma jaguatirica foi resgatada em Campo Grande (MS).
Impacto devastador nos biomas
De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), mais de 473 milhões de vertebrados são atropelados por ano nas rodovias brasileiras — uma média de 16 por segundo. A maioria são aves, répteis e pequenos mamíferos, mas espécies ameaçadas como antas e felinos também figuram entre as vítimas, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas e biomas.
Soluções estão em debate, mas ainda são tímidas
Apesar de iniciativas pontuais, como passagens de fauna e programas de reabilitação animal, o país ainda não possui uma política nacional eficaz para lidar com o problema.
Entre as soluções debatidas, estão:
- Uso de câmeras e inteligência artificial para monitoramento em tempo real;
- Sinalização em áreas críticas;
- Campanhas educativas voltadas à preservação e à segurança viária.
Especialistas se mobilizam
Em maio, o Instituto Sustentar promoveu o webinário “Fauna nas Estradas: Risco de vida para animais e pessoas”, reunindo especialistas para discutir medidas de proteção à biodiversidade e segurança viária.
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A partir da próxima semana, você confere com exclusividade aqui no 67DigitalNews a visão dos especialistas e as propostas para construir uma rota mais segura para todos — humanos e animais. Fique ligado.







É de suma importância mais investimentos na proteção animal em rodovias. Existe tecnologia para isso. Brasil não pode mais negligênciar este assunto.
A perda de habitats, fragmentação entre outros, pode aumentar os dispersão dos animais em busca de recursos e consequentemente, teremos registros de animais em rodovias, ferrovias e áreas urbanizadas, gerando acidentes.
Medidas estão sendo tomadas, mas é necessário fortalecer o processo de licenciamento para adoção de medidas para assegurar a manutenção da diversidade e a travessia segura da fauna nas rodovias, o que consequentemente irá reduzir acidentes fatais para humanos e para fauna.