Casos recentes de atropelamento de lobo-guará, capivara e bugio-ruivo em três estados diferentes expõem a vulnerabilidade da fauna brasileira e reforçam a urgência de medidas de proteção nas rodovias
Em menos de uma semana, três espécies típicas da fauna brasileira — o lobo-guará, a capivara e o bugio-ruivo — foram atropeladas em rodovias de Minas Gerais, do Distrito Federal e de São Paulo. Os resgates, feitos por forças ambientais e voluntários, reacendem o debate sobre a ausência de sinalização e infraestrutura adequada para evitar acidentes envolvendo animais silvestres.
Lobo-guará é atropelado em Minas Gerais
Na manhã de sábado (1º), um lobo-guará foi encontrado ferido na BR-494, cerca de quatro quilômetros após o município de Ritápolis, em direção a São Tiago. O animal, símbolo do Cerrado e ameaçado de extinção, foi resgatado por uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar de São João del-Rei.
Após atendimento inicial, o lobo foi levado a Barbacena para avaliação veterinária. Os bombeiros destacaram que o caso é recorrente em rodovias que cortam áreas de vegetação nativa e reforçaram a necessidade de medidas de preservação e sinalização.

Capivara resgatada na DF-001
Também no dia 1º, uma capivara foi atropelada na DF-001, sentido Brazlândia, próximo à região 26 de Setembro, em Taguatinga. A Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal encontrou o animal ferido, com suspeita de fratura em uma das patas dianteiras, e o encaminhou para atendimento especializado.
A corporação reforçou o alerta para que motoristas redobrem a atenção em áreas próximas a regiões verdes, principalmente à noite, quando é mais comum o deslocamento de animais silvestres.

Bugio-ruivo ferido em Guarulhos (SP)
Na sexta-feira (31), agentes da Guarda Civil Municipal Ambiental de Guarulhos resgataram um macaco bugio-ruivo ferido na Vila Flórida. O animal havia sido atropelado na rodovia Ayrton Senna e foi socorrido por um motociclista, que acionou a equipe da GCM.
O bugio foi encaminhado ao Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras-SP), onde permanece sob cuidados veterinários.

Risco constante nas estradas
Segundo o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE-UFLA), mais de 400 milhões de animais morrem por atropelamento todos os anos no país. A maioria dos acidentes ocorre em trechos que cortam áreas de mata nativa.
Especialistas defendem ações como implantação de passagens de fauna, cercas direcionais, sinalização e campanhas de conscientização. Experiências em estados como Paraná e Mato Grosso já mostraram redução significativa no número de atropelamentos após a instalação dessas estruturas.







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