Ausência de medidas de proteção em áreas de preservação torna o avanço do asfalto um risco constante para a fauna; casos recentes mostram que a situação continua preocupante e exige soluções urgentes.
No último domingo (17), um cachorro-do-mato adulto foi encontrado morto na rua José Giassi, em Criciúma (SC). A via conecta a rodovia Jorge Lacerda à rodovia Luiz Rosso e corta a Área de Proteção Ambiental (APA) do Morro Albino e Morro Estevão.
A rua foi pavimentada em outubro de 2023, sem a adoção de medidas específicas de proteção à fauna, como redutores de velocidade ou sinalização adequada. Desde então, mais de dez animais já foram mortos no local. Entre as espécies registradas estão gambás, ouriços, gato-do-mato e até um raro jaguarundi, único indivíduo identificado na cidade em 2020.
A pavimentação da via facilitou o tráfego, mas também contribuiu para o aumento da velocidade dos veículos, elevando o risco de atropelamentos. Como medidas de prevenção, moradores e ambientalistas sugerem a instalação de lombadas eletrônicas e placas educativas para alertar motoristas sobre a presença de fauna silvestre.
A Diretoria de Trânsito e Transporte (DTT) de Criciúma informou que as solicitações serão verificadas a partir desta quarta-feira (20) e que a educação dos motoristas será reforçada durante a Campanha Nacional do Trânsito, em setembro.
Casos de reabilitação em São Paulo
Enquanto Criciúma chama atenção pela mortalidade de animais, no Estado de São Paulo algumas iniciativas têm possibilitado histórias de recuperação.

Um tamanduá-bandeira, atropelado em junho na região de Itapeva, recebeu tratamento no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetras) de Registro e foi devolvido à natureza em Angatuba no último dia 18. Outro caso semelhante ocorreu em julho, quando um bicho-preguiça-comum também voltou à mata após cerca de um mês de cuidados especializados.
Inaugurado em 2024, o Cetras-Registro já recebeu cerca de 600 animais silvestres em situação de risco, dos quais mais de 130 foram reabilitados e reinseridos em seu habitat. A unidade tem capacidade para atender até 300 animais simultaneamente, com estrutura que inclui ambulatório, laboratório, centro cirúrgico e áreas específicas para filhotes órfãos.
Os episódios registrados em Criciúma e em São Paulo reforçam a urgência de medidas para reduzir atropelamentos de fauna silvestre e ampliar iniciativas de resgate e reabilitação. Classificados como vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), animais como o tamanduá-bandeira ainda enfrentam ameaças como incêndios, perda de habitat e ataques de cães domésticos, além da mortalidade causada pelo trânsito.







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