Eles estão em todo lugar: nas mochilas, prateleiras, vídeos de unboxing nas redes sociais e, claro, nas listas de presente das crianças. Os bonecos da linha Labubu, com dentes afiados, orelhas pontudas e aparência “estranhamente fofa”, viraram febre entre o público infantil. No entanto, um alerta importante aos pais e responsáveis foi reforçado pela fabricante Pop Mart: o produto não é indicado para menores de 15 anos.
A recomendação aparece de forma clara no site oficial da marca chinesa, que classifica os Labubus como art toys, bonecos de design colecionável, voltados para adolescentes e adultos. Por essa razão, eles não são submetidos aos testes de segurança exigidos para brinquedos infantis, como resistência a partes pequenas, bordas cortantes ou materiais tóxicos.
Criado em 2015 pelo artista Kasing Lung, de Hong Kong, o personagem Labubu surgiu inicialmente na série literária The Monsters, inspirada em criaturas da mitologia nórdica. Em pouco tempo, virou um fenômeno internacional graças à estética marcante e à parceria com a Pop Mart, responsável por transformar o boneco em objeto de desejo nas caixas-surpresa conhecidas como “blind boxes”.
🎁 Blind boxes e o fator surpresa: diversão ou estímulo ao consumo por impulso?
Parte do sucesso do Labubu entre o público jovem vem da mecânica das blind boxes, embalagens fechadas que escondem qual modelo de boneco está dentro. Isso aumenta o fator surpresa, mas também levanta debates sobre o incentivo ao consumo por impulso, especialmente em crianças e adolescentes que ainda não têm maturidade para lidar com frustrações ou administrar expectativas.
Esse modelo de vendas, popular em jogos online nas chamadas loot boxes, também está na mira de debates regulatórios ao redor do mundo:
- No Brasil, o Projeto de Lei 2.628/2022 busca classificar jogos com loot boxes como conteúdo para maiores de 18 anos.
- Em países como a Alemanha, o uso desse tipo de mecânica já influencia a classificação etária de jogos eletrônicos.
- A CPI das Apostas (CPI das Bets), que analisava o envolvimento de influenciadores digitais na promoção de apostas online a adolescentes, também tratou de temas semelhantes, ainda que não tenha aprovado o relatório final.
Apesar de o Labubu ser um item físico, a publicidade via redes sociais, unboxings virais e o apelo emocional da surpresa colocam o produto na intersecção entre consumo e entretenimento, exigindo atenção de pais e educadores.
👀 Atenção redobrada: o que pais e responsáveis precisam saber
Mesmo sem conter riscos explícitos, os Labubus não têm a certificação de segurança obrigatória para brinquedos infantis no Brasil ou em outros países. São produtos destinados a maiores de 15 anos, tanto pela sua fragilidade quanto pelo contexto cultural de colecionismo que os envolve.
Especialistas em desenvolvimento infantil alertam: é preciso olhar além da aparência “fofa” e considerar o impacto psicológico e emocional que esses produtos podem causar. Além disso, o acesso de crianças a conteúdos de unboxing e compras incentivadas por influenciadores requer supervisão.
A recomendação dos especialistas é clara: conversar com os filhos, supervisionar o uso e o acesso a conteúdos online e evitar a compra de produtos sem certificação infantil. A segurança deve sempre vir antes da tendência.







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