Ninguém me contou que, ao me tornar mãe, eu não estaria só ganhando um novo amor.
Eu estaria, também, me despedindo de mim mesma.
Da mulher livre que podia sair sem avisar, tomar um café sem pressa, decidir algo de última hora sem depender de ninguém.
De repente, tudo precisa ser combinado, planejado, calculado.
“Você pode ficar com ela enquanto eu vou ali rapidinho?”
“Será que dá tempo de eu tomar um banho antes da próxima mamada?”
“Se eu sair agora, será que ela vai sentir a minha falta?”
A sensação é de viver em um constante estado de alerta.
E, no meio disso tudo, vem o luto da liberdade.
Sim, porque é um luto.
A gente chora em silêncio por aquela mulher que dormia sem interrupções, que andava sozinha pela casa sem ser chamada a cada cinco minutos, que fazia planos sem precisar montar uma operação digna de guerra.
E o mais cruel é que ninguém nos prepara pra isso.
A sociedade romantiza a maternidade como se o amor por um filho fosse suficiente para preencher todos os vazios.
Mas a verdade é que a mulher continua existindo.
Com vontades, cansaços, sonhos e necessidades.
Muitas vezes, pedir um tempo é visto como egoísmo.
Mas na verdade, é autocuidado.
Porque uma mãe esgotada emocionalmente não consegue entregar o melhor de si — nem pros filhos, nem pra si mesma.
Ter rede de apoio não é luxo. É necessidade.
E não se trata apenas de alguém que fique com o bebê enquanto você vai ao mercado.
É sobre ter alguém que entenda que você ainda precisa respirar.
Que você não deixou de ser mulher porque virou mãe.
Liberdade, depois da maternidade, muda de forma.
Mas ela ainda é possível — quando temos com quem contar, quando paramos de nos cobrar perfeição e começamos a nos olhar com mais compaixão.
Se você sente saudade de si mesma, você não está sozinha.
E tudo bem se, mesmo amando seu filho com todas as forças, às vezes você só quiser… ser você.







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